“Sentem mais um pouquinho que ainda temos os avisos”

A Assembleia de Deus tem a sua liturgia, que nem todos gostam de admitir. Cada sessão ou procedimento do culto já encontrou algum tipo de padrão na prática denominacional. Orações, cânticos coletivos, “palavras”, pregações e apelos à conversão seguem sempre alguma regra de um manual não escrito. Ou escrito mesmo, em alguns casos. Mas um procedimento que até hoje ainda não conseguiu ocupar o seu lugar ou uma forma definitiva no culto assembleiano são os tais avisos.

Vem a mensagem, o apelo aos descrentes, a oração pelos novos convertidos, mais uma oração por qualquer motivo (entre o início e o encerramento do culto, orações com propósitos diversificados podem ser inseridas em qualquer ponto do leque litúrgico) e então, antes da “oração final”, alguém pronuncia a frase que dá título a esta postagem. Mas esse descanso pouco desejado normalmente vem remediar o esquecimento, outra prova de que os avisos ainda não convenceram como elemento cerimonial.

Cada igreja parece ter uma forma diferente de fazer comunicados ou mesmo várias delas. Já vi na mesma igreja os avisos serem dados no início, no meio e no fim do culto, antes da “oração final” ou enquanto os crentes já estavam nos corredores rumo à porta de saída. Nenhuma forma adotada consegue se encaixar com naturalidade no andamento do culto. Parece sempre um elemento estranho ou um mal necessário à reunião.

Quem dá os avisos geralmente é o pastor ou alguém designado por ele, sem falar na irritante prática de conclamar uma enfiada de obreiros para que cada um passe as informações de seus respectivos departamentos, que em boa parte dos casos nem são de interesse geral: “A equipe de evangelismo se reúne amanhã às duas horas antes de sair para evangelizar o bairro da Caixa d’Água”, anuncia o líder do grupo aos seus outros três integrantes depois de longos minutos de caminhada pelo corredor e de ajuste do microfone.

Também parece faltar a certos irmãos o “espírito de culto”. Um momento de maior emoção ou algum movimento espiritual é de repente cortado pela voz estridente do diácono (esqueci de dizer, há também os que tomam o microfone por iniciativa própria): “Foi encontrado um molho de chaves no banheiro da irmãs. Está com a nossa secretária, irmã Sônia”. Já vi até um candidato ao troféu Sem Noção interromper uma dupla que estava cantando para solicitar a presença do proprietário do veículo tal, placa tal, no estacionamento. Alguém precisa avisar esses irmãos… não, esquece!

Leia também: Ainda sobre os avisos nos cultos da AD.

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