Ainda sobre os avisos nos cultos da AD

***

Ontem, falei dos avisos nos cultos assembleianos (leia aqui), uma de nossas jabuticabas. Outro fenômeno comum no decorrer daqueles cansativos minutos, que numa tradição católica romana bem poderiam contar como penitência, é que todo mundo parece lembrar que tem algo importante a comunicar à igreja justamente naquela hora.

O ritual não litúrgico tem início quando alguém começa a dar os avisos, e então um crente sai do seu lugar e chama um dos quarenta obreiros que estão no púlpito para passar a mensagem ao responsável por transmitir as informações ao rebanho.

Às vezes, uma pequena fila se forma junto à plataforma, e um rudimentar sistema de comunicação, nem sempre dos mais eficientes, com idas e vindas, interrupções, confirmações e correções, é estabelecido em questão de segundos e se estende até muito além dos que os outros crentes estão dispostos a encarar e só o fazem por educação. Parece aquela situação em que um adolescente vai urinar e todos os outros sentem vontade também.

Temos ainda os que burlam o sistema e vão diretamente à pessoa que está ao microfone, pouco importando se ela está no meio de outro aviso ou se já terminou. Pode ser impressão minha, mas o maior número de interrupções diretas ocorre quando o pastor-presidente assume a tarefa. A cada sete segundos um obreiro se aproxima para acrescentar algo muito importante: “O presbítero Adaílton está lembrando a oração dos irmão amanhã à noite, como acontece todas as segundas-feiras”. E quando parece não haver mais nada a comunicar, o povo ainda sofre um último arrepio quando o pastor pergunta: “Mais alguma coisa?”.

E eu pergunto: parece a sua igreja?

Anúncios

Um comentário em “Ainda sobre os avisos nos cultos da AD

  1. Não pude deixar de notar o tema “Jabitucaba Assembleiana”, lembro-me daquele piadista que queria enfeitar a sua sala com folhas de alcachofras uma coisa que não tem nada a ver com a outra no caso.

    Mas tem também o hábito que se faz de pregar depois que o pregador pregou, tem-se o hábito de pregar de novo um pouquinho mais na tentativa de dar mais uma ênfase à mensagem do profeta o que nem sempre agrada.

    abraço

    Boa lembrança. A “repregação” sem dúvida se encaixa nessa categoria. Já anotei para uma futura postagem.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s