A lâmpada do justo na rua da injustiça

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Assisti a um episódio de Bones, em que um judeu caçador de nazistas explica a um policial: “Queremos levar os nazistas à justiça, não nos tornar assassinos também”. E sobre as raras oportunidades de se fazer justiça, tema implícito na conversa, ele acrescenta: “Não esperamos justiça no mundo, mas nos orgulhamos de buscá-la”. O Sermão do Monte promete saciar os sedentos de justiça, porém isso não acontecerá sem um histórico de aflições.

As ações do justo são pequenas lâmpadas que tentam compensar a escuridão da noite, embora ele esteja ciente de que a rua ainda permanecerá na maior parte escura e assustadora. É como a história do sujeito que lança estrelas do mar de volta ao oceano: ele sabe que milhares de outras morrerão na praia, mas não aquelas. Acendemos uma lâmpada quando nos recusamos a prejudicar alguém, quando denunciamos o mal ou mesmo quando o sofremos sem culpa. A justiça brilha nos que fazem leis justas e nos que se recusam a cumprir leis injustas e entre os que continuam pobres ou anônimos por não se venderem. É assim que tornamos a rua um pouco mais iluminada.

O judeu do seriado está certo em não esperar justiça do mundo. A humanidade tem feito supostamente algumas tentativas nesse sentido. Políticas de Estado tiram a voz e violentam a vontade do povo sob o pretexto de protegê-lo. Mesmo nos regimes de maior liberdade, as injustiças são gritantes. O politicamente “correto” tenta consertar a maldade humana com semântica. Ativistas de diversas plataformas tentam impor a justiça caolha que só enxerga uma lado da história e que, por isso mesmo, não é justiça. Enfim, todas as tentativas humanas de criar um mundo justo variam do patético ao absolutamente maligno porque engendradas nas partes escuras da rua, onde a luz da justiça não alcança.

O mundo só conhecerá a justiça plena quando Cristo reinar neste mundo e todas as sombras fugirem ao brilho abrangente do Sol divino. A justiça é o estado final das coisas, e só Deus poderá implantá-la no mundo de modo definitivo. As notícias que margeiam a barra de rolagem de um único site bastam para nos  convencer disso. O mundo está cada vez mais tortuoso e jamais encontrará sozinho a retidão. Assim, enquanto o Sol não brilha, resta ao que tem sede de justiça alegrar-se no fato de ser justo e orgulhar-se de pelo menos contribuir para que a grande rua deste mundo não mergulhe na escuridão total.

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