Tempos difíceis — Introdução

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O estudo bíblico em série que me propus apresentar a partir de hoje talvez seja mais bem definido como um pequeno ensaio. Mas pouco importa a classificação, desde que seja dito algo proveitoso ao leitor, tarefa exaustiva para os dezessete neurônios desta ovelhinha.

O texto escolhido foi 2Timóteo 3.1-5. Optei pela Almeida revista e atualizada apenas pelo fato de essa tradução da Bíblia trazer a expressão “tempos difíceis”, coincidente com o título do trabalho. Não é a única, mas eu tinha de escolher uma. Como a análise de palavras e expressões não se apoiam na forma do texto em português, mas em seu significado original atestado pelos estudiosos, a escolha da tradução, por estranho que pareça dizer, é uma questão secundária aqui. Mas vamos ao texto:

Nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreveren-tes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.

A expressão “últimos dias” é a base sobre a qual estarão assentados os tijolinhos das postagens que se seguirão. Daí que a primeira e necessária tarefa neste humilde empreendimento será estabelecer uma conexão convincente entre as palavras de Paulo e o mundo novo e sombrio que começa a ser delineado em nosso século. Não é tão fácil quanto parece, porque os “últimos dias” anunciados no Novo Testamento abrangem todo o período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, e dessa perspectiva, Paulo, Lutero e você, leitor, podem ser vistos na mesma janela temporal. Acrescente-se que Paulo, após descrever em tom profético um panorama que parece vislumbrar no futuro, passa a instruir os seus contemporâneos sobre a forma de resistir a essas tendências nefastas. Com isso, os dois extremos são atados como num círculo.

Os “tempos difíceis” dos últimos dias também exigem alguma definição. Conhecer as características gerais desse período negro e culminante da  história humana facilitará a compreensão das origens da pandemia comportamental diagnosticada pela longa lista de sintomas registrados no prontuário apostólico.

Os 18 tipos de pessoas ou comportamentos mencionados por Paulo serão analisados um a um. E, tão importante quanto esclarecer o sentido de cada palavra ou expressão, terei a preocupação de apresentar exemplos não só ilustrativos, mas também comprobatórios das conexões com a mais extensa rede de iniquidades que o nosso mundo já viu.

Por fim, tentaremos traçar em linhas gerais o mapa da fuga proposto pelo apóstolo. As melhores pistas parecem estar na própria carta que ele escreveu ao seu pupilo, pois salta aos olhos em quase todas as linhas a preocupação em manter a integridade do ministério e da doutrina — e consequentemente da igreja — em face das ameaças dos “tempos difíceis” da época de Paulo e Timóteo. Ou de qualquer outra.

Próximo: Tempos difíceis — Os últimos dias. Acompanhe toda a série na página Estudos.

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