O yin-yanguezinho

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Em tempos idos, não eram incomuns os cultos celebrados nas regiões rurais de Jaguaruna. Nessas ocasiões, as crianças, ao deparar com uma igreja sem teto e sem bancos, costumavam abusar um pouco da liberdade, bastante tolhida no ambiente do templo.

Claro, havia aquelas que eram bagunceiras em qualquer lugar, e uma delas era o meu amigo Renato, justamente o filho do pastor (na época, apenas “dirigente”, porque ainda não ostentava nenhum título ministerial).

O Renato era uma dor de cabeça para os diáconos e professoras de escola dominical, e as suas traquinagens fora do ambiente eclesiásticos também eram comentadas nas casas dos crentes. Mas não era um menino malvado, apenas uma alma irrequieta que se recusava a absorver a sabedoria transmitida pela cinta do pai.

E foi num desses cultos ao ar livre, numa localidade chamada Laranjal, tarde ensolarada em que o Renato se mostrava especialmente ativo, que uma irmã escandalizada com o comportamento dele comentou com a Vó Carmira:

— Irmã, esse menino pode ser filho de Deus, mas tem espírito do Diabo!

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