Lições Bíblicas: “O diaconato”

Lição 12 — 2.° trimestre de 2014

A partir de hoje, atendendo ao pedido de alguns irmãos, passo a publicar os comentários sobre as Lições Bíblicas às quartas-feiras. Esta lição é a penúltima do trimestre. O autor apresenta o termo “diácono” sob três aspectos. 1) No sentido geral, que faz de todos nós um diácono. 2) No contexto da igreja do Novo Testamento, que demanda qualidades semelhantes à do bispo. 3) Mais resumidamente, na realidade assembleiana, que não expressa com muita exatidão o conteúdo bíblico.

A diaconia de Jesus Cristo

O autor considera “comovente” a cena em que Jesus lava os pés dos discípulos. E de fato é. Mas passe aos seus alunos a lição mais importante desse gesto de Cristo, que foi um ato de diaconia, no sentido geral de servir. Gostei muito do que diz Merril C. Tenney (não estudo as línguas originais da Bíblia, mas mantive os termos gregos apenas para que você atente para o sentido de cada palavra):

A única fonte de toda diakonía cristã e seu protótipo perfeito é encontrada naquele que, sendo Senhor, fez-se servo (diákonos, Rm 15.8) e escravo (doûlos, Fp 2.6). Por intermédio de sua encarnação como o servo messiânico do Pai e por seu sofrimento messiânico. Cristo inverteu completamente o rela­cionamento servo-senhor e valorizou a dignidade e honra do servir e do sofrer. Contrastando seu próprio papel de servo com a estrutura de poder da autoridade dos gentios e rivalidade ambiciosa dos discípulos, ele afirmou que “quem quiser tomar-se grande entre vós. será esse que vos sirva (diákonos); e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo (doûlos) de todos: pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir (diakonésai) e dar a sua vida em resgate por muito” (Mc 10.35-45. cp. 9.35: M t 20.20-28).

A instituição dos diáconos/ O perfil e a função do diácono

Os homens escolhidos pela igreja de Jerusalém não são chamados “diáconos” (o termo só aparece em Fp 1.1; 1Tm 3.8,12,13). O diaconato/ diaconia se deduz do verbo “servir” (veja os termos gregos na seção anterior). Observe a discussão sobre hierarquia, cargo e real ministério neste comentário de Werner de Boor:

Esses homens depois são denominados “os Sete” (At 21.8), mas não ”diáconos”, como muitas vezes dizemos sem conferir as fontes. Agora é mencionado o pré -requisito interior: “cheios do Espírito e de sabedoria”. Também esse “serviço à mesa” é, numa igreja de Jesus, um “ministério espiritual”, e não mera “questão administrativa” que pudesse ser enfrentada simplesmente com forças e dons mundanos. Nessa circunstância fica singularmente claro como a frase dos apóstolos sobre seu próprio trabalho era de fato “objetiva”. Ela não significava, p. ex., que: pessoas mais insignificantes também podem cuidar de coisas tão simples, nós apóstolos somos grandes demais para isso. Não, a beneficência na igreja demandava homens primorosos, “cheios do Espírito e de sabedoria”. Na narrativa de Lucas ainda não existe qualquer escalonamento dos ”cargos”, com o qual a igreja em breve se adequou ao “esquema” deste mundo, dando assim vazão a todas as pulsões da natureza humana que contradizem profundamente a palavra e essência de Jesus, a saber, a ambição, a ânsia por direito s e privilégios, a insistência em posições exteriores. Lucas não está descrevendo como um cargo “inferior”, o da “diaconia”, é criado ao lado do cargo mais alto de ”apóstolo”. Não contribui para o “surgimento da constituição eclesiástica”. Pelo contrário, está mostrando como uma igreja viva sabe tomar providências práticas quando aparecem dificuldades e carências, vendo também em atividades dessa natureza repercussões do Espírito de Deus que nela habita.

Ainda sobre o distanciamento entre os ministérios bíblicos e os títulos e cargos atuais, vale acrescentar o que diz o Novo dicionário de teologia, que corrobora o que temos afirmado durante todo o trimestre:

Não é conveniente tentar-se traçar uma descrição de cargos eclesiásticos consistente com base unicamente na nomenclatura de cargos e funções. Os termos são geralmente muito imprecisos e variáveis. Por exemplo, um apóstolo poderia ser descrito como um presbítero (1Pe 5.1), e pelo menos um dos sete diáconos pioneiros de Jerusalém poderia ser chamado mais apropriadamente de evangelista (At 21.8). Alguns dos primeiros presbíteros pregavam, mas nem todos o faziam (1Tm 5.17); e alguns outros (como Apolo) pregavam, mas não eram presbíteros (At 18.24-26). — D.  Macleod

Lição 13 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Boor, Werner de. Atos dos Apóstolos. Tradução de Werner Fuchs. 
Curitiba: Esperança, 2003 (Comentário Esperança). * Macleod, D. Governo da 
igreja. In: Ferguson, Sinclair B. et alii (Org.). Novo dicionário de teologia. 
São Paulo: Hagnos, 2009. * Tenney, Merrill C. (Org.). Enciclopédia da Bíblia: 
cultura cristã. Tradução da equipe de colaboradores da Cultura Cristã. São 
Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 3.
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Um comentário em “Lições Bíblicas: “O diaconato”

  1. diante de todos temas já estudados, achei uma falta tremenda ter deixado no esquecimento o papel feminino no ministério da igreja, até por que existem muitas duvidas a respeito do tema, tipo: consagração pastoras e diaconisas. Parece que o autor da lição preferiu nem citar sobre tais polêmicas. caso haja conveniente meu irmão faça o post seu sobre o assunto. a paz do senhor!

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