Lições Bíblicas: “A multiforme sabedoria de Deus”

Lição 13 — 2.° trimestre de 2014

Com introdução, sugiro que você leia este meu artigo: Taças divinas.

Os dons espirituais e ministeriais

O texto da “Leitura bíblica em classe” que fala da “multiforme sabedoria de Deus” não tem como referência principal os dons espirituais, e sim os mistérios divinos que com o advento da igreja se tornaram conhecidos dos anjos bons e maus, que testemunham a sua obra sob uma nova perspectiva. O quadro apresentado em Efésios 3 é muito mais amplo, pois contempla o plano da redenção como um todo. A associação  com os dons concedidos à igreja segue uma via indireta, que o autor não esclarece. De qualquer forma, antes de falar dos dons, convém que você esteja ciente do tema original dessa passagem:

Nas palavras do apóstolo, “nos tornamos es­petáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens” [1Co 4.9]. Mas, afinal, o que os anjos aprendem com a Igreja? “A multiforme sabedoria de Deus” [Ef 3.10]. Sem dúvida, os anjos sa­bem do poder de Deus, observável em sua criação. No entanto, a sabedoria de Deus manifesta em sua nova criação, a Igreja, é algo inédito para eles. Os não salvos, inclu­sive os filósofos sábios, olham para o plano divino de salvação e o consideram ‘loucura’ [1Co 1.18-31]. Mas os anjos vêem Deus realizar seu plano de salvação e louvam sua sabedoria. Paulo a chama de multiforme sa­bedoria, expressão que tem o sentido de “variegado” ou “multicolorido”, indicando a beleza e a variedade da sabedoria de Deus em seu grande plano de salvação (W. W. Wiersbe).

Bons despenseiros dos ministérios divinos

Não entendi a razão de o autor ter pinçado apenas a questão do vinho entre os vários requisitos de 1Timóteo 3. Mas a ideia do despenseiro é oportuna e reflete o texto de 1Pedro 4.7-10 da  “Leitura bíblica em classe”. Além disso, o texto de Pedro estabelece uma relação direta com os dons (ver também o v. 11). Leia o comentário abaixo e observe como o autor, no final, relaciona os despenseiros aos “mistérios de Deus”, um caminho que o autor poderia ter seguido (na ordem inversa) para associar os dons com os mistérios de Efésios 3.

Na segunda parte do versículo [10], Pedro diz aos leitores que devem administrar “fielmente a graça de Deus em suas diversas formas”. Eis uma tradução literal do versículo 10b: “bons administradores da múltipla graça de Deus” (NKJV). A palavra bons na verdade signifi­ca “excelentes” (comparar com 2.12), e o termo administrar se re­fere ao administrador que é encarregado dos bens de seu senhor (ver, por exemplo, Lc 12.42; 16.1; Gl 4.2). Nesse versículo, Pedro lembra a cada pessoa que pertence ao grupo de crentes que o dom que ela recebeu é a “graça de Deus em suas diversas formas”. O dom em si é, antes de mais nada, o evange­lho de Jesus Cristo confiado aos administradores de Deus.28 Porém, o dom não se restringe ao evangelho como tal; também aparece na forma de várias capacidades e habilidades. Durante o século I a, os apóstolos foram feitos “despenseiros dos mistérios de Deus” (1Co 4.1) (Simon  J.  Kistemaker).

Os dons espirituais e o fruto do Espírito

Para esse tema, consulte obras pentecostais sérias. Selecionei este comentário de David Lim:

Qual o relacionamento entre os dons e o fruto do Espírito? O fruto tem a ver com o crescimento e o caráter; o modo da vida é o teste fundamental da autenticidade. O fruto, em Gálatas 5.22,23, consiste nas “nove graças que perfazem o fruto do Espírito — o modo de vida dos que são revestidos pelo poder do Espírito que neles habita”. Je­sus disse: “Por seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16-20; ver também Lc 6.43-45). Os aspectos do fruto estão en­trelaçados de modo delicado nas três passagens que falam dos dons. Tanto em Gálatas quanto nos textos que defi­nem os dons, as qualidades do fruto fluem horizontalmen­te entre si no ministério (1Co 13; Rm 12.9,10; Ef 4.2). O tema principal de Gálatas não é a justificação pela fé, embora pareça predominar. O fato é que o propósito da justificação pela fé é o andar no Espírito. A mesma ênfase no andar (ou vida) no Espírito prevale­ce nas lições às igrejas na Ásia Menor (Éfeso), na Acaia (Corinto) e na Itália (Roma).

Lição 1 do 3.° trimestre (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Kistemaker, Simon  J. Epístolas  de  Pedro  e Judas. Tradução 
de Susana Klassen. São Paulo: Cultura Cristã, 2006 (Comentário  do  Novo  
Testamento). * Lim, David. Os dons espirituais. In: Horton, Stanley M. (Org.). 
Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. Tradução de Gordon Chown. 
Rio de Janeiro: CPAD, 1996. * Wiersbe, Warren W. Comentário bíblico 
expositivo: Novo Testamento. Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: 
Geográfica, 2007, v. 2.
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