O que ninguém parece ter visto na entrevista de Caio Fábio

Como era de esperar, a entrevista de Caio Fábio a Danilo Gentili no programa The noite, do SBT, atraiu um enxame de críticos de várias denominações, que vieram polinizar os estigmas da blogosfera com reações que expressam do recalque à estreiteza do patrulhamento teológico-legalista, que, segundo Cristo, desconhece tanto as Escrituras quanto o poder de Deus.

Mas antes de prosseguir, vamos esclarecer uns pontos. Para começar, não sou defensor de Caio Fábio, pela simples razão de que não sou defensor incondicional e nem mesmo quase incondicional de ninguém. Não nego as influências, mas penso por mim nos limites dos meus dezessete neurônios. E, quase desnecessário explicar, não posso concordar com tudo que ele diz ou faz também pelo simples fato de que não existem duas pessoas no mundo capazes de concordar absolutamente em tudo. Também não vou negar: de todos os pregadores brasileiros, ele é o que eu mais gosto de ouvir.

Sobre as críticas que ele recebeu, veio chumbo grosso sobre as suas expressões nada suavizadas quando o assunto é sexo. Nessa questão, sempre haverá os que ficam chocados, mas quem acompanha a blogosfera cristã já deve ter percebido que aquela linguagem casta e puritana já é coisa do passado. A banalização de palavras fortes e chulas do lado de lá está amortecendo o choque do lado de cá. Simples constatação e nenhuma apologia de minha parte.

Outra crítica feroz foi contra a teoria dos “filhos de Deus”, de Gênesis 6, que teriam sido seres extraterrestres que geraram seres híbridos em suas relações com mulheres humanas. Na Assembleia de  Deus, principalmente, pode-se dizer que é imposta a teoria de que os “filhos de Deus” são a geração piedosa de se Sete, em contraste com a de Caim, que para mim é a mais esdrúxula, a começar pelo fato de não se explicar como santos geram gigantes ao se casar com mulheres ímpias. Apenas penso diferente de Caio na questão dos seres híbridos terem sobrevivido ao Dilúvio. Os que apareceram depois, como Ogue e Golias, podem muito bem ter sido gerados em vistas posteriores dos “filhos de Deus”. Mas é tudo teoria, teologia de chifre de cavalo, que não pode servir para classificar ninguém como santo ou herege.

E, claro, voltou a crítica do homem caído, a história de seu adultério. Na década de 1990, quando li a circular em que Caio Fábio confessava o seu pecado, não pude deixar de comparar com a prática assembleiana e me perguntar: “Quem de nossos pastores teria coragem de fazer isso? Quantos deles não iriam preferir se esconder na igreja de um amigo nos Estados Unidos?”. E agora penso no que fariam os seus acusadores. Tem mais, porém quero ressaltar o que ninguém parece ter visto.

Uma coisa que Caio afirmou com todas as letras foi a ocorrência de um dilúvio real sobre a terra, que é mito até para certos teólogos e pensadores cristãos pós-moderninhos. Sua explicação pode ser discutida, mas não muda o fato que ele declarou com naturalidade um acontecimento bíblico que a maioria considera hoje um conto da carochinha. Como essa afirmativa seria recebida pelo público se fosse um dos nossos teólogos com os seus clichês teológicos e versículos decorados?

E o mais espantoso: depois de mencionar os milagres fabricados do mundo gospel, ele afirmou, também com naturalidade, que milagres verdadeiros acontecem hoje, e ninguém deu um pio de protesto, nem mesmo depois que ele contou duas histórias incríveis. A primeira, de uma mulher que derramava vermes pela vagina e teve a doença contida na hora. A segunda, de um amigo desenganado no hospital, que recebeu a cura.

Por que ele não foi contestado nos dois casos? A resposta para mim é simples: porque o seu discurso foi coerente do início ao fim. Porque a maneira em que ele apresentou as verdades bíblicas convenceu ou pelo menos desarmou os céticos.

E agora o que não entendo: por que os críticos arvorados na própria santidade e no zelo pela preservação da verdade não perceberam isso?

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4 comentários em “O que ninguém parece ter visto na entrevista de Caio Fábio

  1. Bom dia a todos. Tenho acompanhado tudo a respeito do Caio Fábio. Gosto muito do seu posicionamento e convicções e o acho verdadeiro e separado por Deus para falar sobre as coisas divinas. Pensem bem: se ele fosse um pastor cara de pau como muitos que existem na mídia vocês não acham que ele já teria retornado para os diversos canais de tv e contado lorotas e mais lorotas, como fazem tantos pastores, onde seus cultos estão se tornando algo parecido com verdadeiros “rodeios”? Mas não. Ele, com a capacidade que tem se rendeu ao evangelho genuíno, verdadeiro, à palavra de Deus e nada mais. Sabem por quê? Pelo temor que tem a Deus.

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  2. Judson, seu blog foi um “achado” para mim, pois estou pesquisando para expor Genesis 38… e também pois consegui baixar comentários preciosos do A.N. Mesquita… agora, sobre o Caio, discordo do querido em todos os seus pontos. Caio não foi em nada respeitoso com a autoridade das Escrituras ao levantar o argumento ficcional dos “homens híbridos”, e também recuso a aceitá-lo como “pregador”, ele apenas fala de si mesmo, e sempre com um viés sexualista depravado.

    Caro pastor Ezequias, fique sempre à vontade para discordar ou concordar neste blog.

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  3. Também não concordo com o Caio em alguns assuntos, lendo as cartas de leitores e suas respostas como aconselhamentos no seu site (seção essa que gradativamente diminui e praticamente não há mais) na minha opinião, que fique claro, em alguns casos poderia haver conserto no relacionamento e ele aconselhava o fim, do tipo, quebrou? Consertar pra quê? Dá trabalho demais, não fica a mesma coisa! Eu mesmo estive em situação mais complicada que algumas relatadas nas cartas e por toda a história que existia, conseguimos dar a volta por cima, Graças a Deus, a boa vontade de ambas as partes e o bom senso. Esse é um ponto que discordo, há outros, mas não vem ao caso, e teorias não devem ser confundidas com verdades bíblicas. Mas acompanho o Caio há uns 15 anos, devo ter ouvido todas as suas mensagens inclusive as primeiras, vou ao site sempre que posso, assim como venho aqui, no do Pr. Geremias do Coutone penso no Caio como uma voz que tem que ser ouvida com muita atenção. Lamentável que alguns se refiram a ele ainda hoje como adúltero, são mentes atrofiadas, são os mesmos que nos “Congressos dos departamentos da igreja” Brasil afora estão vendo um artista nos púlpitos “rodopiando” e fazendo “trenzinho” falando de vez em quando palavras como fogo, azeite, receba e etc. Essas pessoas estão lá na nave da igreja rodando, dançando e as vezes quebrando cadeiras (já presenciei) quando acaba o espetáculo, eles vão pra casa cada com no mínimo R$ 50,00 a menos no bolso (isso em pelo menos um dia da “festa” é sagrado, se o artista for bom até o mais sovina da igreja deixa um cinquentão lá) e o artista vai pro hotel 5 estrelas pago pela igreja, muitas vezes recebe serviço de acompanhante e quando acaba pega o avião e volta pra casa. A grande questão pra essas pessoas não é o pecado do Caio no passado e sim porque ele fala o que eles não gostam de ouvir, nunca gostaram, e quando tiveram um motivo para repudiá-lo agarram-se com toda a força. Principalmente os pentecostais tradicionais…

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  4. Meu caro Judson, onde é que eu assino? Como dizia um programa antigo da tv: “Tô contigo e não abro!”

    Abraço.

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