Lições Bíblicas: “O propósito da tentação”

Lição 2 — 3.° trimestre de 2014

O fato de a tentação estar ligada etimologicamente à provação precisa ser bem explicado para evitar que os alunos confundam esse conceito. É certo que Deus  às vezes submete a nossa fé à prova. A história de Jó deixa isso bem claro. Mas não devemos entender que as tentações que enfrentamos no dia a dia sejam testes determinados por Deus, como se ele estivesse a todo momento pondo a nossa vida espiritual em perigo ou mesmo tentando nos derrubar. Além do mais, ele nunca é a origem da tentação. Embora Deus esteja sempre atento ao que acontece em nossa vida, nem tudo é teste divino. Jó foi provado por um tempo, mas durante toda a sua vida enfrentou tentações, como qualquer mortal. As tentações/ provas são obstáculos naturais à vida da fé, sem falar nas ocasiões em que nós mesmos nos predispomos a pecar, ou seja, nos lançamos sem ajuda à rede da tentação.

O fortalecimento produzido pelas tentações (Tg 1.2,12)

Você tem uma boa base para desenvolver o estudo desta seção neste comentário de Warren W. Wiersbe sobre Tiago 1.2-12:

De acordo com um ditado, se a vida lhe der limões, faça uma limonada. É mais fácil falar do que fazer, mas o princípio por trás dessas palavras é correto. Aliás, é bíbli­co. Ao longo das Escrituras, encontramos pessoas que transformaram derrota em vi­tória e tribulação, em triunfo. Em vez de víti­mas, tornaram-se vitoriosos. Tiago afirma que podemos ter essa mesma experiência hoje. Quaisquer que sejam as tribulações exteriores (Tg 1.1-12) ou as tentações interiores (Tg 1.13-27), por meio da fé em Cristo podemos ter vitória. O resultado dessa vitória é a maturidade espiritual. A fim de transformar tribulações em triun­fos, é preciso atentar para quatro verbos: considerar (Tg 1.2), saber (Tg 1.3), deixar (Tg 1.4,9-11) e pedir (Tg 1.5-8). Em outras palavras, esses são os quatro elementos essenciais para a vitória em meio às prova­ções: uma atitude alegre, uma mente escla­recida, uma volição submissa e um coração confiante.

A origem das tentações (Tg 1.13-15)

Hora de explicar aos alunos por que Deus nunca é a origem da tentação. Leia e desenvolva o pensamento de Simon Kistemaker:

Deus a ninguém tenta. Deus abomina o mal e, portanto, não faz ninguém se desviar. “Não diga ‘por causa do Senhor deixei o caminho reto’, pois ele não fará o que abomina. Não diga ‘foi ele quem me fez desviar’, pois ele não precisa de um homem peca­dor” [Eclesiástico 15.11,12]. Na oração do Pai Nosso, Jesus ensina o crente a orar: “E não nos deixes cair em tentação” (Mt 6.13; Lc 11.4). É claro que nesse pedido Jesus não diz que Deus está nos tentando, pois isso é impossível. Je­sus nos ensina que devemos pedir a Deus para nos guardar de cair em tentação. Quem, então, é aquele que tenta o ser humano? As Escri­turas são claras em relação a esse ponto: é Satanás. Para ser mais preciso, Satanás é chamado de tentador(Mt 4.3; 1Ts 3.5) e é surpre­endentemente bem-sucedido em conseguir fazer o ser humano cair em tentação e pecar.

O propósito das tentações (Tg 1.3,4,12)

Douglas J. Moo resume bem este tópico:

Provavelmente, este é o significado pretendido por Tiago: o sofrimento é o meio através do qual a fé, testada no fogo da adversidade, pode ser purificada e então fortalecida. Desta forma, a ideia não é a de que provações determinam se uma pessoa tem fé ou não. Em vez disso, elas fortalecem a fé que já existe

Sugiro ainda a leitura destes três artigos sobre a tentação de Jesus: 1) Jesus e a tentação do pão; 2) Jesus e a tentação do pináculo; 3) Jesus e a tentação do monte.

Lição 3 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Kistemaker, Simon. Tiago e epístolas de João. Tradução de Susana 
Klassen. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. * Moo, Douglas J. Tiago: introdução 
e comentário. Tradução de Robinson Malkomes. 7. reimpr. São Paulo: Vida Nova, 
2011 (Série Cultura Bíblica). * Wiersbe, Warren W. Comentário bíblico 
expositivo: Novo Testamento. Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: 
Geográfica, 2007, v. 2.
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