Tempos difíceis — Suas características: a aldeia global no pensamento de Paulo

Anterior:  Tempos difíceis — Passado, presente ou futuro?

Já deixamos claro que o apóstolo Paulo, ao alertar Timóteo sobre os males que ameaçavam a igreja de sua época, estava ciente de que a maldade estava em ascensão no mundo (2Tm 3.13). Sua maior preocupação era preservar a igreja do avanço das forças malignas que ele sabia ser inevitável (3.1). Antes de prosseguir com o estudo, porém, convém esclarecer um ponto que pode ajudar na compreensão do assunto.

A pergunta é: ao anunciar a intensificação do mal numa era futura, Paulo visualizava por algum canal profético a sociedade globalizada de hoje ou se apoiava apenas na visão de mundo de sua época?

Paulo vivia e conhecia unicamente o mundo da narrativa bíblica, e as fronteiras desse mundo no primeiro século estavam reduzidas a um cinturão de terra em torno do Mediterrâneo, como se fora a borda de uma tigela de sopa. O resto da mesa era praticamente ignorado.

Quando Paulo escreveu a sua segunda carta a Timóteo, as muralhas da China já protegiam domínios mais extensos que o Império Romano por quase trezentos anos. Reinos e tribos floresciam abaixo da Líbia, o limite meridional das conquistas romanas. As civilizações clássicas estavam em ascensão no México, e as ilhas Fiji eram habitadas havia mais de 1.500 anos. Nenhum habitante do mundo romano conhecia esses fatos.

Os povos bíblicos do primeiro século viviam de certa forma interligados pela pax romana e pela helenização, porém confinados aos mesmos limites geográficos. Desse modo, a visão de mundo daquela gente nem se compara com o panorama que hoje podemos contemplar, enriquecido por séculos de história e ampliado pela tecnologia, e é seguro dizer que Paulo via o mundo da mesma forma que os seus contemporâneos.

Temos indicação disso quando ele diz, em 4.17, que todos os gentios ouviram a sua mensagem. Isso está de acordo com a sua convicção de que o evangelho já estava presente em todo o mundo e fora pregado a toda criatura (Cl 1.6,23). Como escritor inspirado pelo Espírito Santo, ele poderia ter recebido uma revelação especial, mas nada indica que Deus tenha lhe mostrado o mundo de hoje do alto de uma montanha supranormal.

Portanto, a resposta óbvia parece ser que Paulo não fazia ideia de como seria o mundo 2 mil anos depois e que ele e seus contemporâneos não precisavam dessa informação para entender o aspecto profético dos “tempos difíceis”.

Paulo tinha convicção da universalidade do pecado, que acompanha o ser humano onde quer que ele esteja (Rm 3). Não importa quão longínqua ou avançada seja uma civilização, o pecado sempre estará presente. As informações que ele tinha de sua época e o conhecimento da realidade do pecado eram suficientes para convencê-lo de que o mundo, até onde este pudesse chegar, experimentaria um apogeu da maldade. E, por revelação ou por conclusão dele próprio, o apóstolo sabia que a situação só tendia a piorar (3.13). Ele não precisava do conceito de aldeia global para entender que o pecado é universal.

Ainda assim, podemos deduzir de sua carta algumas características dessa época futura e sombria que ele denomina “tempos difíceis”. É o que começaremos a analisar na próxima semana.

Próximo: “Tempos difíceis — Suas características: uma sociedade globalizada” (aguarde). Acompanhe toda a série na página Estudos.

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