Lições Bíblicas: “A importância da sabedoria humilde”

Lição 3 — 3.° trimestre de 2014

“Vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria” (Pv 11.2). A expressão “sabedoria humilde” seria redundante se considerássemos apenas a verdadeira sabedoria, pois não há conciliação possível entre esta e a arrogância. Mas o texto de Tiago faz o contraste entre a sabedoria do alto (a verdadeira) e a sabedoria terrena, que é na verdade uma sofisticação diabólica, uma expressão bem elaborada do ceticismo.

A necessidade de pedirmos sabedoria a Deus (Tg 1.5)

Solomon  Andria tem uma explicação simples e útil para esse versículo:

Para viver como cristão em meio às tentações, é preciso ter sabedoria, ou seja, capacidade de distinguir entre bem e mal, verdade e mentira, coisas importantes e inú­teis, e de tomar decisões apropriadas segundo os padrões corretos. A sabedoria não é inerente aos seres humanos, mas adquirida. Devemos pedi-la a Deus sem duvidar de seu amor, pois ele sempre responde às nossas orações. Esse pedido exige fé ativa [Tg 1.6,7].

A demonstração prática da sabedoria humilde (Tg 3.13)

A sabedoria prática destacada nesse versículo está relacionada com o controle da língua (leia os v. 1-12). Observe em O novo comentário bíblico a ligação do versículo 13 com esse tema e também com o capítulo 1 da carta:

A solução para o problema de controlarmos nossa língua é buscarmos a sabedoria divina (Tg 1.5). A pessoa que tem a sabedoria que vem de Deus (v. 17) irá mostrá-la humildemente com obras, não somente com palavras. Ou seja, o cristão deveria ser tardio para falar.

Fritz Grünzweig pergunta: “O que Tiago cita como critério para a verdadeira sabedoria e o espírito genuíno?”. Ele mesmo responde:

a) “Conduta” [“bom trato” na ARC]: trata-se do caminho trilhado pela própria pessoa que ensina. Não pode ser como uma placa de trânsito, que nunca seguiu de fato o rumo para o qual aponta incessantemente. Jesus é o verdadeiro mestre. Ele fez o caminho e o abriu para nós. Chama também a nós para essa trajetória: “Vem e segue-me!”

b) “Obras”: são os frutos da fé e da sabedoria. Haveria algo de errado com a fé e a sabedoria se não trouxessem frutos. Esboços teológicos inteligentes ou “profundidade” de reflexão devota que deixa de atingir o cotidiano não bastam como demonstração de autenticidade para um cristão líder na igreja e sua sabedoria. A totalidade da existência tem de ser determinada pela fé em Jesus.

c) Tiago ainda acrescenta que conduta e obra do cristão em geral e do mestre em particular devem ser determinadas pela “mansidão” […]. “Mansidão” não é uma palavra popular. Ela contraria a natureza do ser humano. O mundo usa os cotovelos, tanto na vida profissional como econômica e política. Cada um justifica isso alegando que essa, afinal, é a lei do mundo de hoje. […] Enquanto isso também Jesus constrói, silenciosamente e sem alarde, a sua igreja, o reino de Deus. […] Paulo assevera: “A fraqueza de Deus é mais forte que os seres humanos” (1Co 1.25). Esse modo de agir de  Jesus é chamado pela Bíblia de “mansidão”.

O valor da verdadeira sabedoria e a arrogância do saber contencioso (Tg 3.14-18)

O que comento na introdução é confirmado por Douglas J. Moo:

Tiago acabou de descrever o que não é sabedoria (v. 15); agora ele nos diz o que ela é, numa série de sete adjetivos. Ou, melhor ainda, ele nos diz quais são os efeitos que a sabedoria divina deve produzir — pois a maioria destes adjetivos descreve o que a sabedoria faz, em vez de aquilo que ela é. Novamente está claro que Tiago não vê a sabedoria como uma série de declarações proposicionais, mas como uma qualidade que motiva certos tipos de comportamento. A descrição que Tiago faz da sabedoria lá do alto leva-nos, inevitavelmente, a nos lembrarmos de Paulo e sua descrição do “fruto do Espírito” [Gl 5.22,23]. Apesar de haver pequena semelhança de vocabulário, a ênfase nos dois textos está sobre a humildade, mansidão e comportamento íntegro. Aquilo que Paulo afirma ser produzido pelo Espírito, Tiago diz que é produzido pela sabedoria.

Lição 4 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Andria, Solomon. Tiago. In: Adeyemo, Tokunboh (Org.). Comentário 
bíblico africano. Tradução de Judson Canto et alii. São Paulo: Mundo Cristão, 
2010. * Grünzweig, Fritz. Carta de Tiago. Tradução de Werner Fuchs. Curitiba: 
Esperança, 2008 (Comentário Esperança). * Moo, Douglas J. Tiago: introdução e 
comentário. Tradução de Robinson Malkomes. 7. reimpr. São Paulo: Vida Nova, 
2011 (Série Cultura Bíblica). * Radmacher, Earl D. et alii. O novo comentário 
bíblico: Novo Testamento. Tradução de Bruno Destefani et alii. Reimpr. Rio de 
Janeiro: Central Gospel, 2010.
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