Lições Bíblicas: “A fé se manifesta em obras”

Lição 7 — 3.° trimestre de 2014

Obras não salvam. Somos salvos pela graça. Tiago não está afirmando que as obras, de alguma forma, contribuem para a salvação. O argumento dele é que a fé verdadeira tem consequências naturais, que são as boas obras. E boas obras são ações e comportamentos condizentes com o caráter de Deus. Nós, assembleianos, de tradição legalista, temos dificuldade para absorver esse conceito e tendemos a confundir a conduta saudável com o cumprimento de regras, que é justamente o oposto do que Deus nos propõe com a sua graça.

Diante do necessitado, a nossa fé sem obras é morta  (Tg 2.14-17)

Ao explicar esta seção, não caia na armadilha de limitar as boas obras à pratica da caridade. “Boas obras” é tudo que você faz influenciado pela fé verdadeira. Note que os exemplos de Abraão e Raabe (v. 23-25) não se referem a esmolas ou algo do tipo. É uma boa hora para lembrar o “fruto do Espírito” (Gl 5.22), que abrange todas as áreas da vida. Até porque um ato externo e bom em si não constitui necessariamente uma boa obra. Basta lembrar que alguns líderes religiosos dos tempos de Jesus praticavam a caridade (exatamente o que Tiago recomenda), mas a atitude deles era de hipocrisia — portanto, uma “obra má” (Mt 6.2). O mesmo gesto seria uma “boa obra” se fosse praticado com amor, que é um “fruto do Espírito”.

Um exemplo e o meu ponto de vista sobre a caridade tortuosa praticada nas Assembleias de Deus está no meu artigo “Servos que não servem” (leia aqui). Você pode utilizá-lo como ilustração para a sua aula.

Exemplos veterotestamentários de fé com obras (Tg 2.18-25)

Atente para o versículo 24, porque ele parece contradizer o que foi dito até aqui: “O homem é justificado pelas obras e não somente pela fé”. Para entender isso, vamos primeiro lembrar que a fé transcende a era da graça, ou seja, não passou a existir na época do Novo testamento. Abraão e Raabe tinham fé muito antes do advento da graça que veio por Jesus Cristo. Aliás, Abraão viveu muito antes de a própria Lei ter sido outorgada, enquanto Raabe viveu nos tempos da Lei, mas na época em que praticou o seu ato de fé ainda não a conhecia. No entanto, a fé de ambos era verdadeira.

Cabe aqui uma observação. Abraão é o nosso pai na fé (Rm 4.12). Tiago cita como uma de suas “boas obras” o sacrifício de Isaque, porém sabemos que a sua fé se manifestou bem antes disso. E quanto a Raabe? Não teria a sua “boa obra” o motivo de sua salvação? Hebreus 11.31 desmente isso, ao dizer que ela acolheu os espias pela fé. Portanto, ao ser “justificada”, ela também já possuía a fé. Nesse aperfeiçoamento, abandonou a prostituição e casou-se com um israelita chamado Salmom, que veio a ser um ancestral do Messias (Mt 1.5).

A explicação do versículo 24 está no versículo 22: “Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada”. Isso não significa que as obras salvam, mas que praticadas sobre a base da fé acrescentam justiça (“justificação”) à vida do crente, ou seja, faz parte do nosso processo de aperfeiçoamento. Não devemos entender a “justificação” aqui no mesmo sentido que em Paulo em Romanos 4.2-8. Douglas J. Moo explica que “Paulo está pensando na justificação como uma garantia inicial de uma condição de justiça do crente, enquanto Tiago se refere ao veredicto final de Deus sobre nossa vida”. Para ficar mais claro o conceito de Tiago: a pessoa que tem fé pratica “boas obras”, e essas obras contribuem para que a sua fé seja aperfeiçoada.

A metáfora do corpo sem o espírito para exemplificar a fé sem obras (Tg 2.26)

Sobre essa metáfora, Fritz Grünzweig comenta que “quando já não se consegue constatar nenhum sinal de vida em um corpo, é flagrante que a morte já aconteceu. Obras, atos de obediência são sinais de obediência da fé. Em tudo isso Tiago não visa uma depreciação da fé, mas, como Paulo, que a fé seja e continue sendo fé real e viva”.

Lição 8 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Grünzweig, Fritz. Carta de Tiago. Tradução de Werner Fuchs. 
Curitiba: Esperança, 2008 (Comentário Esperança). * Moo, Douglas J. Tiago: 
introdução e comentário. Tradução de Robinson Malkomes. 7. reimpr. São 
Paulo: Vida Nova, 2011 (Série Cultura Bíblica).
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