Lições Bíblicas: “A verdadeira sabedoria se manifesta na prática”

Lição 9 — 3.° trimestre de 2014

O advento da Internet, especialmente com a proliferação de blogs e redes sociais, permitiu a abertura de inumeráveis tribunas de debates sobre todo assunto que se possa imaginar, desde o cabelo de uma atriz até o futuro da humanidade. Estão em voga debates sobre o terceiro gênero, aborto, Estado laico e muitos outros. Se você acompanha algum desses debates virtuais, já deve ter percebido que existem argumentos equilibrados de um lado e de outro, como também sandices de ambas as partes. Faço aqui uma sugestão. Escolha um assunto que você esteja acompanhando pela Internet. Copie opiniões curtas sobre o assunto escolhido, apresente-as aos alunos e pergunte quais argumentos eles identificam como sabedoria divina e quais consideram sabedoria diabólica.

A conduta pessoal demonstra se a nossa sabedoria é divina ou demoníaca  (Tg 3.13-15)

O comentário de Fritz Grünzweig encaixa-se muito bem no assunto desta seção:

Onde existe ciúme e discórdia e onde as pessoas buscam a si mesmas não há o Espírito de Deus, por mais belo e devoto que seja o palavreado. Esse espírito e essa sabedoria são: a) “terrenos”, ou seja, são espírito e sabedoria da terra, entendida como moradia da humanidade pecaminosa. “Terra” ocorre aqui no sentido de “mundo”. O mundo tem esse estranho semblante duplo: a nobreza como criação de Deus e a mácula do pecado. Está inundado de outro espírito. “O mundo jaz no maligno” (1Jo 5.19). Jesus fala do diabo como o “príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.11). O ser humano acompanha a correnteza da mentalidade e da natureza do mundo. b) “Da alma”, em grego psychikós. A palavra se refere ao ser humano natural e seu modo de ser. Tiago emprega o mesmo termo que Paulo em 1Co 2.14. Lá ele afirma que o ser humano “psíquico”, “natural”, “carnal” não percebe nada do Espírito de Deus. O ser humano carnal não está apenas no mundo, o mundo é que está nele. Sua natureza é totalmente determinada pelo modo de ser do mundo. c) “Diabólicos”, literalmente “demoníacos”: “terrena” é a sabedoria do mundo que cerca o ser humano. “Psíquica” é a sabedoria vinda do próprio coração. “Diabólicos” são espírito e sabedoria vindos “de baixo”, que contaminam o ser humano com o orgulho, a autocracia e o amor próprio do inimigo (de Gn 3.5 a Ap 13.6).
Quando nos esquivamos do Espírito do alto, de sua disciplina e orientação, abrimo-nos para o espírito de baixo. Quando nos fechamos para Deus, abrimo-nos para o inimigo. Quando, porém, buscamos estar abertos para Deus, fechamo -nos para o inimigo. Ambas as coisas estão praticamente “aliadas” uma à outra. Em outro local Tiago afirma: “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós; chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” (Tg 4.7s).

Onde prevalecem a inveja e sentimento faccioso, prevalece também o mal (Tg 3.16)

Desenvolva este comentário de Douglas J. Moo:

Neste versículo, Tiago justifica seu severo veredicto pronunciado sobre a falsa sabedoria, ao descrever os efeitos que ela produz. Inveja (zelos) e sentimento faccioso (eritheia) já foram destacados como características daqueles que fazem uma falsa reivindicação de sabedoria (v. 14). Agora, Tiago mostra como as atitudes egocêntricas e egoísticas levam inevitavelmente à confusão e toda espécie de coisas ruins. […] “Confusão”, “desordem” e “tumultos” surgirão inevitavelmente na igreja onde cristãos, em especial os líderes, estiverem mais interessados em satisfazer suas ambições e causas partidárias, em lugar da edificação do corpo como um todo. Isto acaba em “toda espécie de coisas más” (BLH). Onde o coração dos indivíduos é errado, também será achada uma variedade de pecados sem fim.

As qualidades da verdadeira sabedoria (Tg 3.17,18)

Um resumo das características da verdadeira sabedoria adaptado de Norman Russell Champlin:

  1. Do alto. Significa “do mundo celestial”, em contraste com a sabedoria demoníaca e sensual dos mestres pervertidos (cf. v. 5).
  2. Pura. Isto é, “não contaminada”, sem defeito moral, sem motivos ulteriores, livre do “espírito faccioso”, da ambição humana e da autoglorificação.
  3. Pacífica. A sabedoria não é “contenciosa”, nem “facciosa”. Não busca os próprios interesses, às expensas de outrem, como a sabedoria humana e carnal. Pelo contrário, confere a paz e se alimenta da harmonia (leia Pv 3.17).
  4. Moderada. No grego, o termo significa “razoável”, “cheio de consideração”, “moderado”, “gentil”, qualidades que os homens facciosos e ambiciosos não possuem.
  5. Tratável. Essa sabedoria é aberta à razão. Pode ver o ponto de vista alheio e mudar as próprias opiniões.
  6. Cheia de misericórdia. A verdadeira sabedoria produz profundo sentimento de misericórdia no homem interior. A misericórdia nos permite continuar o caminho na direção de Deus e da verdade, apesar de nossas muitas quedas e erros.
  7. Cheia de bons frutos. A sabedoria tem o caráter da misericórdia, cultivando o fruto do Espírito (ver Gl 5.22,23), e assim a vida, repleta de piedade, é transformada para receber a imagem moral de Cristo, que é o supremo possuidor dessas qualidades.
  8. Sem parcialidade. O sábio pode julgar com imparcialidade, tratando dos homens com justiça e com honestidade.
  9. Sem hipocrisia. O sábio não precisa ser insincero nem hipócrita, porquanto nada tem a ocultar, e não busca vantagens para si.

Nota: Deixe o seu comentário, esse retorno é importante para mim. Se quiser compartilhar algo sobre o assunto desta lição, que também ajude os outros professores, fique à vontade.

Lição 10 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Champlin, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado: 
versículo por versículo. 4. impr. São Paulo: Milenium, 1983, v. 3. * Grünzweig, 
Fritz. Carta de Tiago. Tradução de Werner Fuchs. Curitiba: Esperança, 2008 
(Comentário Esperança). * Moo, Douglas J. Tiago: introdução e comentário. 
Tradução de Robinson Malkomes. 7. reimpr. São Paulo: Vida Nova, 2011 (Série 
Cultura Bíblica).
Anúncios

Um comentário em “Lições Bíblicas: “A verdadeira sabedoria se manifesta na prática”

  1. Muito bom o seu comentário da lição, certamente irá ajudar bastante. Só uma observação a respeito do comentarista da lição desse trimestre: Não suporto mais a maneira repetitiva em que ele cita o termo ” meio irmão de Jesus!”, isso já tem se tornado chato.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s