Lições Bíblicas: “O perigo da busca pela autorrealização humana”

Lição 10 — 3.° trimestre de 2014

Você pode adaptar como introdução o texto de Silas Daniel. Ele explica que, “ao falar, no final do capítulo 3, sobre a sabedoria que vem do Alto, o apóstolo contrasta-a com a falsa sabedoria, a sabedoria terrena, que se baseia na ‘amarga inveja’ e no ‘sentimento faccioso’ (Tg 3.14,16). Prosseguindo, então, nesse raciocínio, Tiago começa o capítulo 4 falando sobre a origem das disputas e dos conflitos entre as pessoas, e dos males do orgulho humano”.

A origem dos conflitos e das discórdias (Tg 4.1-3)

Andrew McNab nos dá uma boa explicação sobre o sentido dos termos que envolvem as “guerras e pelejas” entre os cristãos:

A seção precedente encerra-se mencionando a paz e a justiça. Ao invés dessa paz, no entanto, as pessoas a quem Tiago escrevia tinham guerras e contendas. As contendas (gr. machoi, “lutas”) referem-se, neste caso, a disputas acerca de doutrina. Suas alterações e controvérsias causavam desordem nas reuniões, originando-se tal situação, em última análise, de paixões (prazeres) que militavam nos membros deles (gr. strateuo, “guerrear”; stratos, exército acampado). As paixões acampavam nos membros, possuíam-nos e dirigiam-nos como se fora um exército de ocupação. Disputas nem sempre são causadas por circunstâncias exteriores; muitas vezes são o resultado de paixões íntimas. O termo cobiças refere-se à satisfação do desejo de prazeres, no caso em foco o prazer de exercer poder sobre pessoas rivais, de humilhá-las. A ARA tem simplesmente “prazeres” (gr. hedone, a satisfação de desejos pecaminosos).

A busca egoísta (Tg 4.4,5)

Sobre os “adúlteros e adúlteras”, atente para o comentário de William Barclay:

Não se faz referência aqui ao adultério físico, mas sim ao espiritual. Todo o conceito está baseado na ideia do Antigo Testamento que apresenta ao Senhor como o marido de Israel e a Israel como a esposa do Senhor. Esta figura é comum em todo o Antigo Testamento [leia, por exemplo, Is 54.5; Jr 3.20]. Esta forma de expressão pode ofender a sensibilidade contemporânea, mas a figura de Israel como esposa de Deus, e de Deus como marido de Israel têm em si mesmo algo de precioso. Significa que desobedecer a Deus é como quebrantar os votos do matrimônio. Significa que todo pecado é pecado contra o amor. Significa que nossa relação com Deus não é como o distante vínculo de um rei com seu súdito, ou de um amo com seu escravo, mas sim semelhante à última vinculação do marido com sua esposa. Significa que pecar é ser infiel ao amor e que, ao pecar, quebrantamos o coração de Deus assim como o coração de um dos cônjuges é quebrantado quando um deles, cruel e deliberadamente, abandona-o.

A busca da autorrealização (Tg 4.6-10)

O Comentário bíblico Moody traz uma nota simples, mas que pode ser desenvolvida à luz dos versículos e comentários anteriores:

As dificuldades em se viver para Deus dedicadamente num mundo mau são muitas, mas Ele dá maior graça, a qual aqui parece significar “ajuda gratuita”. E essa ajuda gratuita Deus põe à disposição, como diz Pv 3.34, não para os soberbos, pessoas autossuficientes, mas para os humildes, homens dependentes. A chamada sujeitai-vos, portanto, a Deus (o primeiro dos oito imperativos imediatos) segue-se logicamente à promessa da graça para os humildes. Calvino observa inteligentemente: “Submissão é mais do que obediência; ela envolve humildade”. O diabo, inimigo de Deus, deve ser enfrentado com resistência e, então, ele fugirá de vós [leia Mt 4.1­-11]. Estes são dois importantes passos na fuga ao pecado do mundanismo.

Nota: Deixe o seu comentário, esse retorno é importante para mim. Se quiser compartilhar algo sobre o assunto desta lição, que também ajude os outros professores, fique à vontade.

Lição 11 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Barclay, William. Comentário do Novo Testamento: Tiago. Tradução 
de Carlos Biagini. [S.l.: s.n.], s.d. * Coelho, Alexandre; Daniel, Silas. Fé & 
obras: ensinos de Tiago para uma vida cristã autêntica. Rio de Janeiro: CPAD, 
2014. * McNab, A. A epístola geral de Tiago. In: Davidson, F. (Org.). O novo 
comentário da Bíblia. 3. ed. reimpr. São Paulo: Vida Nova, 1997. * Pfeiffer, 
Charles F.; Harrison, Everett F. (Org.). Comentário Bíblico Moody. São Paulo: 
Batista Regular, 2010, v. 2.
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