Lições Bíblicas: “A atualidade dos últimos conselhos de Tiago”

Lição 13 — 3.° trimestre de 2014

Como o título sugere, esta lição contém assuntos diversificados, não necessariamente ligados entre si.

O valor da paciência e a proibição do juramento (Tg  5.7-12)

Sobre a paciência, veja o comentário de Simon J. Kistemaker:

A paciência é uma virtude que poucos têm e muitos procuram. Vivemos numa sociedade que defende a palavra instantâneo. Mas ser paciente, da maneira como Tiago usa a palavra, é muito mais do que esperar passivamente que o tempo passe. Paciência é a arte de suportar alguém cuja conduta é incompatível com a de outros e por vezes opressiva. Uma pessoa paciente acalma uma briga, pois con­trola sua ira e não busca vingança (comparar com Pv 15.18; 16.32). O termo longânimo não significa sofrer por um pouco, mas tolerar alguém por um longo tempo. Em outras palavras, paciência é o contrário de ser irascível. Deus demonstra paciência ao ser “tardio em irar-se” quando o ser humano continua a pecar, mesmo depois de muitas admoestações (Êx 34.6; Sl 86.15; Rm 2.4; 9.22; 1Pe 3.20; 2Pe 3.15). O ser huma­no deve refletir essa virtude divina em sua vida diária.

Sobre a questão do juramento, é instrutiva o que encontramos em O novo comentário bíblico, embora contradiga um pouco o autor da lição (mas veja 1Ts 2.5):

Não jureis. Tiago não está proibindo o cristão de fazer um juramento em um tribunal ou invocar Deus como testemunha de alguma declaração significativa (1Ts 2.5). Em vez disso, ele está proibindo a prática antiga de apelar a vários objetos diferentes para confirmar a veracidade da declaração de alguém. Essa prática se aproximava muito da idolatria, pois implicava que tais objetos tinham espíritos. A advertência nesses versículos pode servir como um lembrete para que observemos aquilo que dizemos. Não devemos usar o nome de Deus de um modo im­pulsivo; e devemos ter cuidado para falar sempre a verdade.

A unção de enfermos e como Deus ouviu a Elias (Tg  5.13-18)

A unção com óleo e a oração da cura cabem melhor aqui na perspectiva pentecostal de Vernon Purdy:

Cla­ro está que é a oração, e não a unção com azeite ou a imposição das mãos, que leva à cura. Há quem fale hoje na cura divina como algo “excepcio­nal e inesperado”. Mas a Igreja Primitiva não acreditava que a cura divina fosse “um ato totalmente inesperado da parte de Deus”. Pelo contrário, oravam pelos enfermos com plena expectativa de sua recuperação. A linguagem de Tiago 5.14,15 não titubeia quanto a isso. Afirma claramente que “a oração da fé salvará o doente”. Obviamente, Deus pode dizer “não” às vezes, e assim faz. Na sua sabedoria, Ele pode recusar a cura, mas não é esta a norma indicada pelas Escri­turas. A vontade normativa de Deus é curar os enfermos por causa da obra de Cristo, mediante a fé que os crentes têm nEle.

A importância da conversão de um irmão (Tg 5.19,20)

Estes dois versículos têm interpretações diferentes conforme o posicionamento doutrinário da denominação ou da pessoa. Os que advogam a “segurança/ perseverança da salvação” (aquela ideia do “uma vez salvo, salvo para sempre”) entendem que quem se desvia da verdade não está perdido, mas pode sofrer algum tipo de disciplina da parte de Deus ou mesmo a “morte”, que nesse caso seria literal, não espiritual. A doutrina da Assembleia de Deus diz que é possível, sim, o convertido perder a salvação. É como também entendo, embora a discussão não caiba neste espaço.

Apenas ressalto que vejo na prática assembleiana a crença errônea de que o simples ato de pecar já nos tira a salvação. Assim, se estivermos cometendo um pecado ao morrer ou na hora do arrebatamento da igreja, estaremos perdidos, diz a tal crença. Mas não é assim, do contrário estaríamos salvos ou perdidos diversas vezes ao dia, uma vez que todos nós pecamos. Vejo a perda da salvação como um processo que que abre caminho para a apostasia, e o momento em que a mudança de condição acontece exatamente talvez seja impossível determinar, até para a própria pessoa. Mas a condição de quem caiu da graça pode ser percebida, do contrário o conselho de Tiago não faria sentido.

Nota: Deixe o seu comentário, esse retorno é importante para mim. Se quiser compartilhar algo sobre o assunto desta lição, que também ajude os outros professores, fique à vontade.

Lição 1 do 4.° trimestre (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Kistemaker, Simon. Tiago e epístolas de João. Tradução de Susana 
Klassen. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. * Purdy, Vernon. A cura divina. In: 
Horton, Stanley M. (Org.). Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. 
Tradução de Gordon Chown. Rio de Janeiro: CPAD, 1996. * Radmacher, Earl D. et 
alii. O novo comentário bíblico: Novo Testamento. Tradução de Bruno Destefani et 
alii. Reimpr. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2010.
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4 comentários em “Lições Bíblicas: “A atualidade dos últimos conselhos de Tiago”

  1. Leio sempre seus posts irmão Judson e principalmente os subsídios para as lições. Deus continue lhe abençoando. Apesar de este ser meu primeiro comentário em seu blog, já faz muito tempo que acompanho está página. Tens um leitor assíduo aqui no Tocantins. Abraço e a paz do Senhor Jesus!

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  2. A palavra em Isaías 59.2 diz que os nossos pecados nos afastam de Deus. Ainda assim, sem arrependimento, no caso, é possível ser salvo?

    Alice, sem dúvida é o pecado que nos afasta de Deus, mas esse afastamento que nos põe fora de sua graça é um processo, não é algo instantâneo que nos torna perdidos cada vez que pecamos, pois como eu disse, assim estaríamos salvos e perdidos dezenas de vezes num mesmo dia. Devemos confessar os nossos pecados e nos arrepender deles, como forma de nos santificar e, claro, de não cair da graça. Mas o ponto aqui é: se você, estando na graça, por coincidência morrer enquanto estiver cometendo um pecado ou antes de pedir perdão por esse pecado não perderá a salvação por isso. Mesmo no instante do Arrebatamento, muitos crentes, quem sabe até eu e você, por certo estarão cometendo algum pecado e também não terão tempo de se arrepender, mas por certo serão arrebatados. Nesses casos, o arrependimento não é determinante da salvação.

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  3. Tiago nos resume,o que queremos nos dia de hoje…Somos sem prudência;como por exemplo, um guarda de transito ele não adverte; Ele aplica a multa e depois ele vai dizer o que foi o erro.
    Quando assentamos nos primeiro bancos da igreja, nosso pescoço gira como ventilador…Nos atrasamos e não sabemos quem esta no culto,chamamos atenção de alguns …Então o relato de Tiago se torna crítico para os imprudentes.
    Toninho (este é um rápido comentário em que nos preocupa no hoje um abraço)

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  4. Boa noite a paz do Senhor Judson,

    achei as lições repetitivas nesse semestre, o comentário do Vernon Purdy retrata bem a verdade do que era no tempo dos apóstolos e pesa muito para quem ministra a Palavra ou é um presbítero(é muita responsabilidade estar pronto para orar para alguém e ele ter a resposta de Deus depois da oração). Gostei do seu comentário sobre a conversão de um irmão, é minha opinião também(com base Bíblica), acrescentaria algo sobre o fato de vivermos unidos como num corpo(1 Co 12) e esse fato pode nos ajudar a acordar antes de nos desviarmos, ou seja, eu não percebo que estou longe dos propósitos do Senhor em minha vida ao ponto de estar num caminho que me leve a desviar, porém meu irmão nota e me fala, ora por mim, enfim, me ajuda a voltar para o centro da vontade de Cristo. Concorda com meu comentário, ou viajei muito?

    Está certo, Jackson, a responsabilidade com o irmão, destacada por Tiago, inclui os que ainda não se desviaram totalmente do Caminho.

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