As denominações são a nossa “monarquia”

Não é de hoje que vem a minha preocupação com a igreja representadas em suas inúmeras denominações. Desde muito tempo, tenho a convicção que elas não representam a vontade de Deus, assim como a monarquia adotada pelo Israel antigo ia de encontro à sua vontade (leia aqui). A degeneração dos sistemas eclesiásticos é cada vez mais preocupante, porém, independentemente de uma denominação estar corrompida ou ser “igreja séria”, deveria nos preocupar mais o fato de estarmos fora da vontade de Deus há tanto tempo. Pensando nisso, resgatei do jornal O Assembleiano, edição de janeiro de 1991, este texto que fez parte de um estudo em série sobre a igreja, da autoria desta ovelhinha:

Na mesma carta em que Paulo revela o mistério da Igreja há um apelo do após­tolo no sentido de manter a unidade do Corpo de Cristo: “Não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos” (Ef 4.17), querendo dizer que os crentes não devem agir “como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos ho­mens, pela austúcia com que induzem ao erro” (v. 14).

Os apóstolos sempre se preocuparam em manter a unidade da Igreja. Quando o evangelho passou a ser pregado aos gen­tios e os primeiros não judeus passaram a fazer parte da comunidade cristã foi preciso convocar um concilio em Jerusalém, a fim de que uma grande divisão não ocorresse já no princípio da expansão da Igreja (At 15). Paulo também advertiu à igreja em Co­rinto sobre as facções que estavam surgindo em seu meio.

Unidade, porém, não significa uma igreja dominando todas as outras, como matriz e filiais. Deus quer a preservação da unidade espiritual e a manutenção da sua doutrina. A igreja planejada por Cristo tem estrutura suficiente para comportar opiniões diferentes (ver Rm 14.1-12), como também culturas heterogêneas (Mt 8.11). Portanto, os facciosos (isso também inclui as denominações) são plenamente dispen­sáveis.

Infelizmente, a maioria de nós, cris­tãos, pertence a grupos separatistas dentro do cristianismo, uma situação não desejada no plano original de Deus, mas suportada por ele, assim como continuou ao lado de Israel, quando este exigiu a troca do gover­no teocrático pelo monárquico. Deus consi­derou a atitude dos israelitas um ato de rejeição à sua pessoa, mas isto não impediu que ele escolhesse, orientasse e até aben­çoasse os reis não desejados (1Sm 8.7). Esse é exatamente o quadro de nossos dias: Deus operando e abençoando numa situação con­trária à sua vontade.

Sobre essa situação, A. Gibert [autor do livro Igreja ou assembleia de Deus (que não é a denominação)] indaga: “Que fazermos, pois? Acaso deveríamos reconstituir a Igreja do princípio dos dos apóstolos?”. Ele mesmo responde: “Se­ria impossível. É um fato constatado em toda a Bíblia que Deus não restaura integralmente o que o homem arruinou”.

Concordo com Gibert em que uma desconstrução do atual sistema eclesiástico seja impraticável, por diversos motivos. Todavia, há um fenômeno recente que não pode ser ignorado: muita gente já está abandonando as igrejas identificadas por placas e retornando ao projeto original de Cristo, e as denominações terão de lidar com isso. Voltaremos ao assunto.

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