X-costela, folheto e a vida que segue

Na última sexta-feira, voltei ao restaurante que costumava frequentar nesse dia da semana para comer costela. Mas o prato foi suspenso durante a temporada e substituído por um lanche especial, vendido apenas na sexta-feira à noite também, o x-costela, criado talvez para manter acesa a memória da clientela. Embora eu goste desse tipo de comida, não fiquei muito animado com a troca, por isso resolvi dar um tempo naquela rotina. No entanto, voltei há duas semanas para finalmente experimentar o lanche, mais por curiosidade que por vontade. É um sanduíche bem-feito com um hambúrguer de mais de um centímetro de espessura, salada e queijo. O gosto é muito bom, e fica melhor lambuzado com renovados fios de maionese caseira. Mais um para a coleção de curiosidades gastronômicas.

A sexta-feira a que me referi no início já era a segunda de uma provável nova rotina. E, no retorno para casa, uma mulher já idosa, com aquele visual de assembleiana das antigas, vinha na direção contrária acompanhada de duas outras pessoas e ao cruzar comigo estendeu-me um folheto evangelístico, uma simples lâmina de papel.

Diverti-me com o fato de ela me achar com cara de pecador que precisa desesperadamente de um encontro com Jesus, mas aceitei educadamente o folheto e guardei-o na carteira sem olhar. Segui caminho pensando em como ela reagiria se eu lhe dissesse que já havia escrito mais de quarenta folhetos iguais àquele e, claro, que eu era crente. E comecei a rir sozinho depois de concluir que ela acreditaria mais facilmente na primeira informação do que na segunda.

Ao chegar em casa, lembrei-me que os folhetos evangelísticos, embora simples e até simplistas, podem causar impacto se chegarem às mãos certas. Como estou numa fase de transição em minha vida, que no meu entender já vai se alongando mais que o desejado, pensei sem muita convicção que aquela irmã, sem querer ou mesmo por direção do Espírito, poderia estar me transmitindo não uma mensagem de salvação, mas pelo menos algum alento.

Saquei o folheto da carteira e verifiquei que se tratava, naturalmente, de uma mensagem evangelística. Mas fiquei surpreso com o título, que em letras grande e amarelas trazia a frase: “A vida continua”.

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