Desconstrução infantil: processo caro e violento (reedição)

Picasso ChildSe você acha que a cultura pós-moderna protege a criança, leia (ou releia) este artigo que publiquei em 2009.

Aprendemos com Salomão que uma das características do homem violento é a sua capacidade de persuadir os amigos a tomar o caminho errado. Violência, portanto, não é só bordoada, é também descaminho. Por isso, quando li que a pequena Suri Cuise, filha do casal Katie Holmes e Tom Cruise, é dona de um guarda-roupa avaliado em 3 milhões de dólares não pude evitar o pensamento de que um ato de crueldade pode apresentar-se sutil ou disfarçado com belas roupagens — nesse caso, literalmente.

Suri é vítima de violência porque a sua mente infantil e maleável está sendo moldada para a cultura fashionista, que escraviza a alma ao universo fútil da moda e condena o ser humano a uma existência vazia, mas que demanda fidelidade sacrifical a um estilo de vida edificado sobre areia. Uma alminha está sendo deformada, e sabe-se lá que tipo de pessoa está sendo formado. As marcas da escravidão já se fazem notar. Existe a preocupação de que a menina jamais seja fotografada duas vezes com a mesma roupa. Ela é coagida a assumir em público posturas de adulto, violação clara de sua condição de infante. A violência não se mantém suave por muito tempo.

O caso despertou-me para o fato de que a violência contra os infantes — sob qualquer forma — é uma tendência hoje. O Diabo parece ter encontrado na era pós-moderna a sua “plenitude dos tempos”, o momento ideal para desestruturar espiritualmente a humanidade (para salvar é que não podia ser), e começou o seu trabalho pela base: as crianças. Nos últimos anos, esses seres em formação estão sendo privados da saudável disciplina bíblica, confundidos em sua sexualidade e transformados em pequenos tiranos consumistas. Claro, não faltam as aulas de violência, ministradas nas interfaces atraentes de jogos e desenhos animados. Há alguns anos, Xuxa perverteu os valores religiosos, morais e sociais de toda uma geração de telebobinhos no Brasil. Hoje, na África, crianças são acusadas de praticar bruxaria. A lista pode estender-se tanto quanto a sua imaginação.

Desse modo, as nossas crianças estão sendo violadas, deformadas, desestruturadas, desconstruídas como os corpos humanos nas telas de Picasso. E às vezes, como se vê, a violência cometida contra um filho pode custar tão caro quanto uma tela do pintor espanhol. A verdade é que há sempre um mercado em torno da violência — analise os casos citados e logo identificará o fluxo financeiro. Portanto, não basta o mal praticado contra a criança: é preciso pagar por ele. Mamom é antes de tudo o deus da ganância, mas sempre foi um deus violento. Por isso, não é surpresa que, no comércio da alma humana, a violência cobre uma parte em dinheiro e o dinheiro induza a alguma forma de violência.

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Um comentário em “Desconstrução infantil: processo caro e violento (reedição)

  1. Judson, o assunto é de grande importância. Em desenhos animados pode-se perceber o estímulo à feitiçaria. Certa vez pude perceber a expressão de uma personagem falando que queria ser a maior de todas as feiticeiras! Isso para uma criança pode se tornar uma realidade, pois não sabem discernir as coisas.
    Filmes que servem de ensinamentos de ensinos diabólicos, etc. Como diz a Bíblia se voltarão às fábulas (2Tm 4.4). A inofensiva televisão.
    Chamou-me a atenção o fato de teres mencionado Mamom como um deus, na verdade, falta me um pouco de conhecimento exegético à respeito da origem do termo Mamom, era de fato um ídolo adorado na época como uma estátua?

    Abraço

    Flavio, Mamom não era um deus icônico da época de Cristo. Os estudiosos acreditam que se trata de uma personificação das riquezas. Mas o endeusamento de Mamom, ou das riquezas, sem dúvida é o que está em foco no discurso de Jesus e é bastante comum, como sabemos. Assim, na prática, ele seria um deus, embora nunca tenha sido representado em figura.

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