Culto em casa: melhor que no templo?

Adaptado de um comentário meu sobre as Lições Bíblicas.

O que se faz num culto doméstico? Vou começar discordando do autor [Elinaldo Renovato] na referida revista. Ele diz: “A liturgia não precisa ser a mesma da igreja, todavia o louvor, a mensagem e a oração são elementos indispensáveis”.

Para começar, a liturgia não deve ser a mesma da igreja. Trata-se de uma reunião informal, e quanto mais informal, melhor. Não entenda isso como sinônimo de irreverência, e sim como uma oportunidade de cultuar a Deus de maneira mais livre, sem as formalidades que o culto no templo geralmente exige.

Entendi que ele considera o louvor, a mensagem e a oração elementos indispensáveis no conjunto. No livro, o autor recomenda cânticos, leitura bíblica, comentário bíblico (a explanação da palavra), pedidos de oração e oração final. Só faltou a oferta e a organização do departamento missionário. Ou seja, ele não considera culto doméstico a reunião que não contenha pelos menos aqueles três elementos — e recomenda cinco.

É claro que esse conjunto de elementos não é proibido, mas a repetição leva à formalidade e, por conseguinte, anula a principal característica dessa reunião, que deve ser sempre informal. A melhor maneira de manter o culto sempre interessante (sim, precisa ser) é a variedade.

Durante certo tempo, realizamos em casa o culto doméstico, mas em geral nem o chamávamos assim. O centro do culto era a leitura da Bíblia (nesse caso, como todos os cinco membros da família sempre queriam ler mais, nunca houve uma reunião sem uma longa leitura do texto bíblico). Costumávamos escolher um livro da Bíblia e líamos ele todo. A cada culto, líamos alguns capítulos, conforme o ânimo geral: às vezes um só; às vezes programávamos na hora três ou quatro capítulos e acabávamos lendo bem mais. Alguém começava a leitura e cada um lia um versículo até acabar o capítulo (isso mantém todo mundo ligado).

Quando acabávamos o livro, escolhíamos outro, nunca em sequência. Ao final da leitura, eu costumava ler algum comentário bíblico (não técnico) vinculado à leitura. Sim, também cantávamos e orávamos, mas sempre de acordo com a disposição do grupo. Às vezes, apenas líamos a Bíblia. Mas também podíamos fazer as três coisas. Ou duas delas. O importante era que nada fugisse à espontaneidade.

Você pode num culto ler a Bíblia e depois um comentário correspondente à leitura ou parte dela, como eu fazia. Ou comentar com as suas palavras. Outros membros também podem fazer isso, é claro, até mesmo num sistema de rodízio. Um culto pode ser só oração (por uma necessidade na família ou para atender a um pedido de alguém de fora). Outro só cântico. Outro pode juntar os dois elementos. Um dia pode ser apenas a leitura de um texto devocional ou de um artigo interessante que você achou num periódico ou na Internet. Um estudo bíblico sobre um assunto que seja do interesse geral da família pode se prolongar por um ou mais dias. Insisto: não se prenda a fórmulas, tudo isso que citei é culto, isoladamente ou em conjunto.

Eu nem mesmo gosto da expressão “culto doméstico”, porque nos tempos apostólicos ela seria redundante, uma vez que durante séculos os cultos foram realizados nos lares. Se você ler o Novo Testamento com atenção, perceberá que o culto em casa é muito mais parecido com as reuniões da igreja primitiva que o culto realizado em nossos templos. Então, qual é melhor?

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