Sobre vermes morais

Tipos de corruptos

Tenho acompanhado nos últimos meses a guerra ideológica — termo que uso por comodidade — em torno dos recentes acontecimentos políticos do Brasil e, mais especificamente, do impeachment da presidente Dilma. Leio as matérias cáusticas na imprensa e os comentários inflamados de amigos no Facebook, cada um defendendo o seu lado ou acusando o outro. Vez por outra, sinto um sopro de neutralidade, mas que em nada diminui o calor das batalhas travadas no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e mesmo nas ruas. Como simples espectador, concluí que, se vivemos uma democracia, é do tipo que só grita e não escuta ninguém — o que não me parece ser uma democracia, em absoluto. Por isso, não manifestei a minha opinião. Além do mais, que efeito teria um fraco balido no meio de toda essa gritaria?

Porém hoje li uma frase que me levou a sacudir a poeira do teclado, talvez mais para satisfazer a própria consciência do que pela esperança de ser ouvido. Não escondo a minha antipatia pelo PT e quero ver toda a quadrilha na cadeia, mas não é com isso que a alegria dos brasileiros estará completa. Se toda a canalha petista for parar atrás das grades, o índice de corrupção no país baixará algumas linhas, mas a situação ainda será desesperadora, e a frase que li só fez reforçar esse meu temor.

Aquelas poucas palavras levaram-me a pensar pensar nas pessoas que depositam esperanças nos prováveis sucessores dos corruptos despejados do poder. A questão é que de modo algum podemos classificar esses substitutos como desinfetantes morais. Passa despercebido para alguns (e para outros nem tanto) que são apenas vermes ocupando o lugar de outros vermes.

Sim, minha modesta opinião — por fim emitida — é que o Brasil é e continuará governado por vermes. Teoricamente, se os vermes de hoje forem banidos, os substitutos terão a chance de promover uma profunda limpeza moral e cívica no país, mas para isso teriam de mudar a própria natureza, o que duvido muito. A única maneira de melhorar de fato a vida da nação é banindo os vermes da vida pública. Salvo honrosas exceções, no entanto, o povo parece ter se afeiçoado a eles.

E a frase que inspirou este curto desabafo é um aforismo de Samuel Hoffenstein (1890-1947), poeta que fez sucesso nos Estados Unidos na primeira metade do século XX. Ele diz: “Para onde o verme se virar, ele ainda é um verme”.

Triste.

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