Ponderando com Pondé

Ontem compareci a uma sessão de autógrafos com o filósofo Luiz Felipe Pondé, na loja das Livrarias Curitiba do Shopping Palladium, que fica pertinho de onde eu moro. Ele está lançando o livro Filosofia para corajosos, que tem o propósito de incentivar o leitor a pensar “com a própria cabeça” ou “na própria língua”. A segunda expressão é uma referência direta a Nietzsche. Falar nfilosofia-para-corajososa língua dos outros significa escorar-se no que outros já disseram e dizer apenas o comum, em vez de falar na própria língua, ou seja, expressar as próprias ideias sem o receio de destoar da maioria, daí a necessidade de ser corajoso. Isso não significa, como o autor deixa claro, negar as nossas origens e influências, mas utilizar esse repertório para elaborar uma concepção particular de mundo.

Fiquei feliz de constatar que venho fazendo isso há algum tempo, mesmo antes de ter criado o blog. No final da década de 1980 e início dos anos de 1990, eu editava o jornal O Assembleiano (olha a influência no nome e a intenção de não ir muito além da cerca!) e já era considerado um rebelde por um bom número de pastores e membros da denominação, embora eu ainda fosse muito, digamos, assembleiano. Devo dizer que as ideias não eram tão chocantes nem as críticas ao sistema tão contundentes, mas soavam revolucionárias para a época e renderam muita polêmica.

Com o blog, distanciei-me um pouco mais da caixinha filosófico-doutrinária da denominação, embora sem renegá-la (não há contradição nisso, mas não é o caso esclarecer aqui). O fato é que, ponderando sobre a mensagem do livro, mais em torno do subtítulo que do título, dei-me conta de que desde muito tempo venho pensando na própria língua a partir de minhas leituras, observações e experiências. Isso me deu alguma satisfação, e acho que, guardadas as proporções, Nietzsche também ficaria satisfeito comigo.

Mais ainda, vejo hoje com alegria que a blogosfera cristã, à parte de Pondé e Nietzsche, está sendo enriquecida com autores jovens e maduros que também resolveram pensar na própria língua e não temem expor as suas concepções ao mundo. Sim, existem os bitoladinhos que fazem sucesso lustrando as botas do tradicionalismo, que só falam na língua dos outros, mas achando que criaram o neodothraki. Sem surpresa. O comum será sempre… comum. E autoiludido. Só que isso é tema para outra postagem. Ou várias outras.

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