A bem-aventurança do anonimato

no-faceFazer o bem não é fácil, e mais difícil ainda é ajudar os outros sem esperar reconhecimento nesta terra. Ouvi de um pastor certa vez que o ego tem de ser massageado. Não discordo, se a massagem for aquele incentivo saudável que todo bom líder consegue aplicar na dosagem certa ou a gratidão demonstrada a quem merece. Mas, como cristãos, em nosso serviço ao próximo não devemos nem mesmo criar essa expectativa.

O motivo é que corremos o risco de cair na obsessão dos fariseus dos tempos de Cristo, que não davam uma moeda a um mendigo sem antes contratar um tocador de trombeta. A crítica de Jesus àqueles caçadores de elogios era uma forma de dizer: “Bem-aventurados os anônimos”. E, como toda bem-aventurança está acompanhada de uma promessa, a dos anônimos seria: “… porque eles obterão o reconhecimento de Deus”.

Um dos meus anônimos preferidos na Bíblia é o homem que emprestou o cenáculo para Jesus e seus discípulos. Mateus, Marcos e Lucas registram esse fato, e a tripla referência é sinal de sua importância. Não é para menos. No cenáculo, ocorreu a Última Ceia com os seus comoventes e dramáticos desdobramentos. Nesse lugar, provavelmente um espaço coberto sobre um terraço, os discípulos permaneceram após a ascensão de Jesus. Por fim, foi nesse local que nasceu a igreja. Mesmo assim, nenhum dos três evangelistas nos fez a gentileza de declinar o nome desse homem generoso e hospitaleiro. Conhecemos o nome do bandido Barrabás, mas não o da pessoa que acolheu em sua casa o Salvador do mundo e depois o Consolador da era da graça.

Não se pode negar: o reconhecimento humano é sempre imperfeito. É incompleto, injusto ou, na melhor das hipóteses, sobrevive ao homenageado, mas acaba se perdendo em algum corredor da história. O reconhecimento de Deus não só é perfeito como transcende o tempo. A aprovação divina transforma a gratidão efêmera num peso eterno de glória.

Só Deus, em sua onisciência e onipresença, pode nos agraciar com esse tipo de reconhecimento. Ele conhece os nossos caminhos, mesmo os mais solitários, e o fogo de seus olhos sonda os recantos mais ocultos do nosso coração sem deixar nenhuma intenção encoberta. Se depois desse escrutínio formos aprovados, teremos a nossa obra reconhecida em todo o Universo.

O dono do cenáculo não recebeu nem uma plaquinha para mostrar aos amigos, mas na eternidade ele será conhecido e reconhecido, em dimensões que nunca imaginou. A boa notícia serve para nós também. Todo bem que praticamos e não é reconhecido neste mundo está registrado em letras indeléveis no céu. Porque, afinal, para Deus não existem anônimos. Ele conhece os seus bem-aventurados.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s