Michelangelo e o Espírito Santo (reedição)

Michelangelo, um dos maiores gênios criadores da humanidade, segundo a história da arte, além de pintor, poeta e arquiteto, era excelente escultor. Os estudiosos que tentam entender o sentido de sua arte acreditam que ele era capaz de enxergar dentro da pedra bruta a peça que pretendia esculpir e usava o cinzel e o martelo apenas para retirar os excessos.

Em minhas rápidas pesquisas sobre o Espírito Santo para algumas as aulas que andei ministrando (leia aqui), não pude deixar de perceber a semelhança entre o método do grande escultor e a obra de santificação operada em nós. A santificação é um processo que aponta para a perfeição, o crescimento interior que tem como propósito fazer com que cada cristão atinja a estatura espiritual de Cristo.

Sabemos, porém, que a perfeição nesta vida é impossível. As esculturas de Michelangelo, humanamente falando, podem ser consideradas obras perfeitas. Aliás, conta-se que quando ele concluiu uma delas, bateu no joelho da estátua e ordenou: “Fala, Moisés!”, tão impressionado ficou com o próprio trabalho. Aos olhos de Deus, porém, jamais atingiremos tal completude, muito menos seremos alvos de sua admiração.

Além disso, como pedras vivas e pensantes, temos a tendência de pensar que o cinzel divino está trabalhando no lugar errado, porque também idealizamos a nossa escultura interior, e ela não coincide com a do Espírito Santo. Não conseguimos enxergar dentro de nós a mesma imagem que ele visualizoua obra perfeita que enxerga na matéria bruta da alma regenerada e que pretende concluir. Assim, protestamos quando ele remove algo que fazia parte da peça que havíamos concebido. É quando o mármore insubmisso pergunta ao Escultor: “Que fazes?”.   

Por causa de nossa natureza rebelde, a perfeição cristã será sempre uma escultura inacabada, como São Mateus, outra obra de Michelangelo, porém não concluída. Percebem-se belas linhas emergindo da pedra bruta, mas o produto final não é conhecido. Nisso a perfeição cristã guarda uma semelhança e uma diferença com a obra inacabada do grande mestre italiano.

A semelhança é que nós, do ponto de vista da perfeição que nos é exigida, somo todos obras inacabadas. Ao encerrar a nossa jornada aqui, seja pela morte, seja por ocasião da vinda de Jesus, seremos todos parte pedra bruta e parte trabalho artístico, nos mais variados estágios.

A diferença é que a obra que o Espírito Santo começou em nós será concluída. Na eternidade, iremos ter plena consciência do que ele pretendia realizar em nós, ambos veremos a mesma peça no interior da pedra bruta. Creio que Paulo também se refere a isso quando menciona o conhecimento pleno que teremos quando vier o que é perfeito. Então o Espírito Santo irá bater em nosso joelho e dizer: “Pode falar agora!”. Ou então: “Era isto o que eu queria fazer”. Porque ele terá diante de si uma obra perfeita. 

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