Breves notas sobre as palavras de Jesus: extratos da aula 30

Os que choram
Mateus 5.4, ARA

Chorar é a reação natural de quem é pobre de espírito. A proximidade do Deus santo faz com que o ser humano perceba a condição deplorável em que se encontra e se sente tentado a reagir como Pedro diante do poder divino: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lc 5.8). Mas é interessante que o discípulo declarou isso depois de se lançar aos pés do Mestre. O desejo de estar perto de Deus é tão forte quanto a tentação de fugir dele. O choro bem-aventurado nasce desse dilema.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

  • O seguidor de Cristo, que se despe de tudo para absorver o divino, passa a enxergar o mundo e a si mesmo da mesma forma que ambos são vistos por Deus.
  • O mundo começou alegre. Os anjos faziam coreografia para a música a capella das estrelas (Jó 39.4-7) enquanto o caos se transformava em ordem. Era um mundo de comunhão e celebração, até que o pecado trouxe a escuridão de volta.
  • O que vemos hoje através das lentes divinas é um mundo down, caótico e triste em sua essência (Rm 8.19-23), impregnado em todas as instâncias de “imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes” (Gl 5.19-21, NVI).
  • É impossível entrar em sintonia com Deus sem conhecer sua essência, que é o amor. E o amor “não se alegra com a injustiça” (1Co 13.6). Ou seja, não é indiferente. Se estamos num mundo mau (no Maligno, 1Jo 5.19), a sensibilidade adquirida ao nos aproximarmos de Deus nos levará às “lágrimas cristãs”. Esse sentimento deve necessariamente acompanhar o seguidor de Cristo, porque ele chorou literalmente ao contemplar a paisagem sombria da condição humana, dominada pelos espinhos e pelas ervas daninhas que a semente do pecado fez brotar (Mt 23.37).
  • A própria criação “geme e sofre como que dores de parto até o presente dia” (Rm 8.22). Já passou a noite ao de alguém que gemia com dor de dente? Uma lamúria muito mais intensa chega aos ouvidos de Deus até hoje. E, quando nos aproximamos dele, passamos a fazer coro com o lamento da criação.
  • O ímpio, que têm a mente cauterizada, tenta convencer a si mesmo e aos outros de que o mundo pode ser alegre, cheio de pessoas felizes. O Maligno convenceu-o de que a estática que impede a comunhão com Deus e o gemido incessante da natureza compõem a verdadeira sinfonia da criação.
  • Choramos também pelos erros que cometemos: pelas decisões erradas que tomamos e que gostaríamos de “destomar”; pelas palavras que gostaríamos de recolher; pelos segredos vergonhosos que levaremos par o túmulo; por qualquer pecado, enfim. O simples lamento por essas atitudes não é bem-aventurado, mas se choramos com sensibilidade espiritual e arrependimento, alcançamos a bem-aventurança. É a vantagem do cidadão do Reino sobre o ímpio iludido.
  • O mundo é uma fábrica de aflição, e o seguidor de Cristo não está isento delas, mas a boa notícia é que Deus nunca desprezará “um coração quebrantado e contrito” (Sl 51.17). O caminho que conduz à alegria do perdão atravessa necessariamente a tristeza do arrependimento.
  • O ímpio não chora, porque tem a mente cauterizada, mas é infeliz. Podem ter suas alegrias e privilégios efêmeros, mas não têm consolador (Ec 4.1). Às vezes não conseguem nem mesmo o choro do arrependimento (Hb 12.17). Por ironia, passarão a eternidade num lugar “onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 24.51).
  • O seguidor de Cristo chora, mas tem alegria em Cristo. Tem neste mundo o consolo da vitória sobre a tentação ou o perdão de Deus. Passam por aflições, mas não lhes falta o alento: “Tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33; cf. Sl 126.5).
  • O choro bem-aventurado terá também seu consolo definitivo. Ainda vivemos o que o Apocalipse chama “primeiras coisas”, mas haverá uma nova ordem. No mundo das primeiras coisas, as bênçãos de Deus nunca atingem a plenitude, por isso temos uma alegria misturada com tristeza. Mas no céu teremos a alegria completa e perfeita: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.4).
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