Lições Bíblicas: “Jesus, o holocausto perfeito”

Lição 9 — 3.° trimestre de 2018
Observe a sequência dos assuntos apresentada pelo autor: comece explicando o holocausto, depois a sua função no judaísmo e por fim o tema cristológico/ soteriológico do sacrifício de Cristo. Minha contribuição desta semana são extratos de alguns comentários bíblicos dentro dos respectivos temas.

O holocausto, o sacrifício mais antigo
Há religiões mais antigas que o judaísmo, mas os holocaustos têm a sua origem no culto a Deus. O primeiro holocausto mencionado na Bíblia remonta aos tempos de Caim e Abel. O comentário de Antônio Neves de Mesquita, em sua obra Estudo no livro de Gênesis (JUERP), pode ajudar você a entender o princípio envolvido nesse tipo de sacrifício:

Os dois sacrifícios eram de natureza diferente. Um era sacrifício de sangue e era feito com os primogênitos do rebanho, conforme a lei levítica, já em prática no tempo de Adão. A carne, com a gordura, era oferecida sobre o altar, na dispensação Mosaica, e, a julgar pelo ritual a que Abel se submeteu, parece que já existia o altar naquele tempo. O culto estava bem elaborado. Na falta de sacerdote, o próprio pecador oferecia sua própria oferta. Os dois sacrifícios não somente são diversos em si mesmos e com valor profundamente diferente, mas os próprios ofertantes são dois tipos diferentes. Crê-se que Caim não podia oferecer sua oferta de manjares, sem primeiro oferecer sacrifício de sangue, para expiar seu pecado, a fim de, depois, oferecer das primícias da sua terra. Se isto foi a causa de Deus não haver atentado para a sua oferta, é difícil dizer. […] O autor da carta aos Hebreus diz que, pela fé, Abel ofereceu melhor sacrifício do que Caim [Hb 11.4]. A rejeição da oferta parece ter sido devida ao coração de Caim. Ele não estava adorando o Criador, mas simplesmente conformando-se com o rito da família.

O holocausto na história de Israel
Para esta seção, vale o reforço de R. K. Harrison, do livro Levítico: introdução e comentário (Vida Nova, 1983):

O ritual do sacrifício é descrito de modo singelo porém cuidadoso, ressaltando a consistência do procedimento como uma salvaguarda contra os ritos idólatras. A cerimônia realiza, assim, a intenção do adorador [cf. Js 24.14] e exclui o uso de rituais e ensinos estranhos e errôneos que anulariam o relacionamento entre Deus e o homem. O cristão também está aberto a tais tentações na sua adoração, e, portanto, é conclamado a seguir o padrão da sã doutrina [2Tm 1.13] como base para a devoção verdadeira. Neste procedimento sacrificial, o ofertante não é um observador passivo, mas, sim, um participante ativo. Põe a mão sobre a cabeça do animal, indicando que é seu substituto bem como seu próprio pertence, e que está dando de si mesmo simbolicamente no ritual. Nada se diz acerca de declarações verbais pelo adorador ou pelo sacerdote, mas sem dúvida a oferta sacrificial seria acompanhada por alguma declaração de propósito como preliminar. Nos tempos do Templo, um Salmo poderia ter sido recitado ou cantado. Aceito a favor dele, talvez indique um pronunciamento sacerdotal no sentido de que a expiação de fato tinha sido feita. Esta expiação anula e remove os efeitos do pecado ou dá impureza. […] Existia um ritual especial de “expiação” na Mesopotamia, em que o poder demoníaco considerado responsável pela incidência da doença num paciente recebia como oferta um cabritinho como sacrifício. No ensino do Novo Testamento, o cristão é conclamado a apresentar-se como sacrifício aceitável a Deus [Rm 12.1; Fp 4.18].

Jesus Cristo, o holocausto perfeito
Sobre o sacrifício único de Cristo, vale conferir o comentário de Fritz Laubach sobre Hb 10.11-12, em Hebreus (Esperança, 2000):

O apóstolo se reporta aos dolorosos limites e à imperfeição do serviço sacerdotal do AT, a fim de deixar reluzir, diante deste pano de fundo, com tanto maior brilho, a maravilhosa grandeza do sacrifício único de Jesus Cristo. […] Como já ocorreu tantas vezes, também desta frase do autor depreendemos o som de palavras do AT: “Isto é o que oferecerás sobre o altar: dois cordeiros de um ano, cada dia, continuamente. Um cordeiro oferecerás pela manhã e o outro, ao pôr do sol” [Êx 29.38-39]. Nenhum dia deveria começar sem a força santificadora e protetora do sangue sacrificial, e o fim de cada dia devia ser colocado sob a força perdoadora e purificadora do sangue. A cada manhã e a cada entardecer, dia após dia, ano após ano, os sacerdotes tinham de sacrificar um cordeiro sem defeito – até que viesse a morrer o “Cordeiro de Deus” como sacrifício de validade plena, para romper o cerco férreo do pecado e trazer a todas as pessoas a redenção perfeita. O que nenhum sacrifício era capaz de realizar, foi alcançado por Jesus junto de Deus, por meio de sua paixão e morte: perdão de todos os nossos pecados. O Único ofereceu o único sacrifício. Como confirmação de seu sacrifício, Deus exaltou a Jesus. […] Os sacerdotes estavam diariamente a postos diante do altar, sacrificavam repetidamente, porém, apesar disso, em última análise seus sacrifícios eram em vão. Eles estavam parados como os anjos no incessante serviço perante Deus (cf. Is 6.2; Lc 1.19; Ap 7.11). Cristo, em contrapartida, depois de seu sacrifício realizado de uma vez por todas, sentou-se à direita de Deus. Após ter consumado a obra redentora para todos os humanos, tomou posse da soberania que Deus lhe concedeu (cf. Mc 16.19).

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