O mistério do açucareiro

AçucareiroNuma tarde de setembro, quando ainda morava em Jaguaruna, estranhei ver o açucareiro, que mantinha em cima da geladeira (foto), com a tampa levantada. Havia uns três dias que não usava açúcar e tinha certeza de que ele estava fechado. Sem ânimo para conjecturas, baixei a tampa e voltei ao computador, pois o trabalho costuma me preocupar bem mais que os enigmas domésticos.

Uma hora depois, voltei à cozinha e lá estava o dito cujo expondo de novo a sua doçura interior ao mundo. A ideia de a casa ser habitada por algum espírito, um pneuma brincalhão, passou-me rapidamente pela cabeça, mas não tempo suficiente para me convencer. Baixei a tampa mais uma vez e voltei ao trabalho.

Mais uma ida à cozinha, e agora a tampa erguida parecia caçoar de mim numa gargalhada muda. Pela terceira vez, empurrei-a para baixo. Mas então resolvi ficar de tocaia, a fim de resolver o mistério.

Segundos depois, a tampa começou a tremer e a ensaiar nova e autônoma abertura. E tudo foi esclarecido.

Era um pneuma, sim, mas não um espírito com vontade própria: apenas o vento que entrava pela janela e sem dificuldades empurrava de passagem a leve tampa de plástico para cima.

Aí só faltou descobrir o que eram aquelas batidas metálicas perto da minha janela de madrugada. Mudei-me para Joinville sem descobrir esse outro mistério.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: