Apenas compartilhando: “Alleluia”, de Giulio Caccini

Se eu puder escolher, quero partir deste mundo ouvindo isto.

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Meu legado

Livros trabalhadosEm meus 23 anos de trabalho na área editorial, revisei centenas de livros e traduzi uns poucos. Além disso, como ghost writer ou em outras formas de parceria, sempre por encomenda, escrevi biografias, transformei pregações em obras de variados temas cristãos, elaborei revistas de escola dominical e até produzi um curso inteiro de teologia básica. Foram dezenas de obras, porém nenhuma delas me fez sentir que eu tinha um livro para chamar de meu.

Por esse motivo, convenci-me de que estava na hora de compartilhar com uma ínfima parcela da humanidade um pouco do que trago represado na mente. As ideias são muitas, e tenho até uma lista, que engordou bastante com o passar dos anos: 72 obras aguardam o momento de serem despejadas neste mundo onde não há limites para fazer livros.

Sem chance, reconheço. Depois de pensar um pouco, reduzi os meus numerosos projetos literários para um, talvez o mais extenso. O tema? Depois eu conto. Mas devo dizer que, como o assunto está dividido em oito partes no texto bíblico, serão também oito livros, até para poupar os possíveis compradores de levarem para casa um calhamaço que dificilmente se animarão a ler. Quanto a mim, terei a vantagem de escrever várias obras no fôlego de uma só, excetuadas as pausas para atender às exigências editoriais.

Esse será o meu legado. Se tudo der certo, quem sabe ainda abro mais alguma das 71 comportas restantes da minha pequena represa interior.

Breves notas sobre as palavras de Jesus: extratos da aula 30

Os que choram
Mateus 5.4, ARA

Chorar é a reação natural de quem é pobre de espírito. A proximidade do Deus santo faz com que o ser humano perceba a condição deplorável em que se encontra e se sente tentado a reagir como Pedro diante do poder divino: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lc 5.8). Mas é interessante que o discípulo declarou isso depois de se lançar aos pés do Mestre. O desejo de estar perto de Deus é tão forte quanto a tentação de fugir dele. O choro bem-aventurado nasce desse dilema.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

  • O seguidor de Cristo, que se despe de tudo para absorver o divino, passa a enxergar o mundo e a si mesmo da mesma forma que ambos são vistos por Deus.
  • O mundo começou alegre. Os anjos faziam coreografia para a música a capella das estrelas (Jó 39.4-7) enquanto o caos se transformava em ordem. Era um mundo de comunhão e celebração, até que o pecado trouxe a escuridão de volta.
  • O que vemos hoje através das lentes divinas é um mundo down, caótico e triste em sua essência (Rm 8.19-23), impregnado em todas as instâncias de “imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes” (Gl 5.19-21, NVI).
  • É impossível entrar em sintonia com Deus sem conhecer sua essência, que é o amor. E o amor “não se alegra com a injustiça” (1Co 13.6). Ou seja, não é indiferente. Se estamos num mundo mau (no Maligno, 1Jo 5.19), a sensibilidade adquirida ao nos aproximarmos de Deus nos levará às “lágrimas cristãs”. Esse sentimento deve necessariamente acompanhar o seguidor de Cristo, porque ele chorou literalmente ao contemplar a paisagem sombria da condição humana, dominada pelos espinhos e pelas ervas daninhas que a semente do pecado fez brotar (Mt 23.37).
  • A própria criação “geme e sofre como que dores de parto até o presente dia” (Rm 8.22). Já passou a noite ao de alguém que gemia com dor de dente? Uma lamúria muito mais intensa chega aos ouvidos de Deus até hoje. E, quando nos aproximamos dele, passamos a fazer coro com o lamento da criação.
  • O ímpio, que têm a mente cauterizada, tenta convencer a si mesmo e aos outros de que o mundo pode ser alegre, cheio de pessoas felizes. O Maligno convenceu-o de que a estática que impede a comunhão com Deus e o gemido incessante da natureza compõem a verdadeira sinfonia da criação.
  • Choramos também pelos erros que cometemos: pelas decisões erradas que tomamos e que gostaríamos de “destomar”; pelas palavras que gostaríamos de recolher; pelos segredos vergonhosos que levaremos par o túmulo; por qualquer pecado, enfim. O simples lamento por essas atitudes não é bem-aventurado, mas se choramos com sensibilidade espiritual e arrependimento, alcançamos a bem-aventurança. É a vantagem do cidadão do Reino sobre o ímpio iludido.
  • O mundo é uma fábrica de aflição, e o seguidor de Cristo não está isento delas, mas a boa notícia é que Deus nunca desprezará “um coração quebrantado e contrito” (Sl 51.17). O caminho que conduz à alegria do perdão atravessa necessariamente a tristeza do arrependimento.
  • O ímpio não chora, porque tem a mente cauterizada, mas é infeliz. Podem ter suas alegrias e privilégios efêmeros, mas não têm consolador (Ec 4.1). Às vezes não conseguem nem mesmo o choro do arrependimento (Hb 12.17). Por ironia, passarão a eternidade num lugar “onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 24.51).
  • O seguidor de Cristo chora, mas tem alegria em Cristo. Tem neste mundo o consolo da vitória sobre a tentação ou o perdão de Deus. Passam por aflições, mas não lhes falta o alento: “Tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33; cf. Sl 126.5).
  • O choro bem-aventurado terá também seu consolo definitivo. Ainda vivemos o que o Apocalipse chama “primeiras coisas”, mas haverá uma nova ordem. No mundo das primeiras coisas, as bênçãos de Deus nunca atingem a plenitude, por isso temos uma alegria misturada com tristeza. Mas no céu teremos a alegria completa e perfeita: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.4).

Morre Arézia Cabral

Morreu ontem a irmã Arézia Lessa Cabral, esposa do pastor Elienai Cabral, que exerce um profícuo ministério de ensino no âmbito das Assembleias de Deus. Arézia também se dedicava ao ensino bíblico. Pude vê-la atuando uma única vez em Joinville, na década de 1980. O pastor Elienai emitiu este comunicado:

Descansou em Deus minha querida esposa, Arézia, nessa noite. Serviu a Deus ao meu lado por 51 belos anos. Mãe, avó e bisavó. Louvo sua vida e amor. No decorrer desse domingo, darei mais informações sobre o sepultamento que deverá acontecer na segunda-feira, pela manhã.