Estiagem mental

E este recesso criativo que não acaba?

Parece que tem chiclete no teclado.

Na expectativa de domingos melhores

Ontem à tarde, a queda de energia no prédio e a falta de uma boa companhia empurraram-me para um programa solitário nos Shopping Palladium, que fica aqui perto.

O churrasco de quitinete feito em churrasqueira elétrica (pão de alho recheado, linguiça toscana e contrafilé Angus consumidos entre goles de Santa Alba Reserva) ainda pesava no estômago, por isso me mantive longe das ofertas gastronômicas, exceto por um espresso de avelã (não consegui identificar o gosto) no café da loja das Livrarias Curitiba.

Ainda no café, sentei-me numa das poltronas que cercam o ambiente e li o prefácio e um capítulo de Exorcismo, de Thomas B. Allen, que alguém havia deixado ali. O livro conta a história real de possessão demoníaca que inspirou o filme O exorcista, e a leitura me interessou. Mas eu também eu não estava no clima para comprar livros.

Então optei pelo cinema e dirigi-me ao espaço da UCI, que fica no terceiro piso. Em cartaz, o último filme estrelado por Tom Hanks. Já estava na fila da bilheteria, quando me dei conta da ironia da situação: ali estava eu, um cristão, prestes a comprar a minha entrada para o Inferno. Isso depois de ficar no escuro e de ter a atenção atraída para um caso de possessão demoníaca. Pois é. Nessa fieira sinistra de coincidências, até o bom churrasco acabou virando uma metáfora desagradável.

Decididamente, preciso melhorar os meus domingos.

Ponderando com Pondé

Ontem compareci a uma sessão de autógrafos com o filósofo Luiz Felipe Pondé, na loja das Livrarias Curitiba do Shopping Palladium, que fica pertinho de onde eu moro. Ele está lançando o livro Filosofia para corajosos, que tem o propósito de incentivar o leitor a pensar “com a própria cabeça” ou “na própria língua”. A segunda expressão é uma referência direta a Nietzsche. Falar nfilosofia-para-corajososa língua dos outros significa escorar-se no que outros já disseram e dizer apenas o comum, em vez de falar na própria língua, ou seja, expressar as próprias ideias sem o receio de destoar da maioria, daí a necessidade de ser corajoso. Isso não significa, como o autor deixa claro, negar as nossas origens e influências, mas utilizar esse repertório para elaborar uma concepção particular de mundo.

Fiquei feliz de constatar que venho fazendo isso há algum tempo, mesmo antes de ter criado o blog. No final da década de 1980 e início dos anos de 1990, eu editava o jornal O Assembleiano (olha a influência no nome e a intenção de não ir muito além da cerca!) e já era considerado um rebelde por um bom número de pastores e membros da denominação, embora eu ainda fosse muito, digamos, assembleiano. Devo dizer que as ideias não eram tão chocantes nem as críticas ao sistema tão contundentes, mas soavam revolucionárias para a época e renderam muita polêmica.

Com o blog, distanciei-me um pouco mais da caixinha filosófico-doutrinária da denominação, embora sem renegá-la (não há contradição nisso, mas não é o caso esclarecer aqui). O fato é que, ponderando sobre a mensagem do livro, mais em torno do subtítulo que do título, dei-me conta de que desde muito tempo venho pensando na própria língua a partir de minhas leituras, observações e experiências. Isso me deu alguma satisfação, e acho que, guardadas as proporções, Nietzsche também ficaria satisfeito comigo.

Mais ainda, vejo hoje com alegria que a blogosfera cristã, à parte de Pondé e Nietzsche, está sendo enriquecida com autores jovens e maduros que também resolveram pensar na própria língua e não temem expor as suas concepções ao mundo. Sim, existem os bitoladinhos que fazem sucesso lustrando as botas do tradicionalismo, que só falam na língua dos outros, mas achando que criaram o neodothraki. Sem surpresa. O comum será sempre… comum. E autoiludido. Só que isso é tema para outra postagem. Ou várias outras.

Feissibucando…


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Eu vinha desde muito tempo postergando a minha entrada no tal Facebook. Mas no último mês dezembro cedi à pressão de amigos e familiares e finalmente vim espraiar a minha ovina presença na famosa rede social. Na verdade, foi o meu filho que, depois de me ouvir dizer pela enésima vez que eu pretendia ter uma página no Face, assumiu o meu computador entrou no site do Zuckerberg e foi perguntando: “Nome?…” Ok, isso ele já sabia, mas foi extraindo de mim outras informações, e minutos depois lá estava eu feissibucando, já com três solicitações de amizade.

Ouvi muita coisa negativa sobre o Facebook: frivolidades, cenas constrangedoras, desabafos, 140 fotos da mesma pessoa numa única semana e informações que não interessam absolutamente. E é tudo verdade. Mas há coisas boas também. Você fica conhecendo o pensamento de pessoas interessantes, reencontra amigos de infância cheios de filhos e netos, pode ouvir boas músicas e preleções, acompanhar tendências, e assim por diante. Também há muitos vídeos de gatinho (que prometi nunca compartilhar, mas nem por isso vou me privar de assistir), e o humor compartilhado nas linhas de tempo merece um estudo à parte.

Já li profundas e pungentes considerações filosóficas de gente que se opõe a essa ferramenta popular de comunicação, mas acho que a melhor maneira de encarar o Facebook é não levá-lo muito a sério. É como passar por uma rua olhando as lojas, casas e cenas urbanas, deter-se um pouco diante diante de algo que nos prende a atenção e então seguir adiante, sem maiores envolvimentos.

Até que estou gostando da experiência, por causa das coisas boas que citei acima. As outras fazem parte e não me incomodam, apenas vou passando. E, devo dizer, até aquelas interações corriqueiras entre famílias, mostradas em fotos e textos, valem como testemunhos de bons momentos, que as pessoas têm o direito de compartilhar com quem quiserem. Acaba sendo uma das coisas boas também.

Já aumentei bastante a minha lista de amigos, e — quanta emoção! — houve até quem recusasse a minha solicitação de amizade e me bloqueasse. Ainda sou desajeitado com curtidas e compartilhamentos e cuido para não me distrair, porque essa coisa é viciante. Aguardo a sua solicitação de amizade.

Na expectativa de Star Wars VII

No aguardo do sétimo filme da franquia Star Wars, eu já havia assistido de novo aos seis primeiros episódios, e ontem tive a oportunidade de acrescentar um elemento a essa preparação. Participei de uma sessão de autógrafos do escritor de ficção científica Timothy Zahn, autor da Trilogia Thrawn. Os livros dele fazem parte das histórias do Universo Expandido de Star Wars, que estão para a história original como os apócrifos para a Bíblia, embora com o aval de George Lucas e companhia.

Timothy Zahn - O último comandoEu só havia lido até hoje uma dessas obras “apócrifas”, Kenobi, de John Jackson Miller. Nunca tinha ouvido falar de Zahn e nem sei se vou ler o livro dele porque, embora eu seja  mais o cara dos livros, nesse caso prefiro os filmes. Mas foi legal conhecer uma celebridade ligada a Star Wars.

Foram distribuídas trezentas senhas pela loja das Livrarias Curitiba do Shopping Palladium, e tive de comprar o terceiro livro da Trilogia Thrawn (foto) para o autógrafo. E, por falar em senha, adivinhe quem ficou a de número 300! Pois é, quando saí o shopping já estava fechado. Talvez eu fosse o menos entusiasmado no meio de um bando de nerds felizes, mas valeu a experiência.

Agora vou esperar o filme. Confesso que estou um pouco apreensivo, porque Star Wars VII, o primeiro de uma nova trilogia, foi produzido pela Disney, e por isso prevejo uma história impregnada de debiloidices politicamente “corretas”, impostas por esse movimento de ditadura cultural que vem inexoravelmente transformando toda arte em titica. Espero estar errado, mas fica a observação como um protesto preventivo.