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Lições Bíblicas: “A função social dos sacerdotes”

Lição 4 — 3.° trimestre de 2018

Insisto em lembrar que o professor deve buscar meios de aplicar os tópicos de cada aula deste trimestre à realidade cristã atual. Além de o livro de Levítico não ser dos mais atraentes para estudo, as suas correlações (simbólicas ou de princípios) com a era da igreja foram praticamente deixadas de lado. Nesta lição em particular, manter-se estritamente ao conteúdo da revista significará correr o risco de ministrar a aula mais chata do ano (ou do século).

Funções clínicas
Para um professor pentecostal, não será difícil associar a função clínica do sacerdote à questão da cura divina. Os sacerdotes podem representar aqui a liderança da igreja, mas cuidado para não levar a comparação a extremos (veja o que falamos sobre hierarquia eclesiástica na lição passada). Se você for abordar a questão da cura divina, não vá atribuir o dom de cura como obrigatório para os líderes (“Têm todos o dom de curar?”, 1Co 12.30). O texto de Levítico pode indicar que seja responsabilidade da liderança da igreja vigiar questões relativas a esse dom, como incentivar sua busca, coibir o charlatanismo ou atestar reais casos de cura por operação divina (o que equivaleria à tarefa de declarar “limpo” o leproso curado: Lv 14.7; Lc 5.14).

A saúde mental das ovelhas também pode fazer parte da “função clinica” dos líderes da igreja. Sabemos que o estresse, a depressão e males semelhantes afetam milhões de pessoas nos dias de hoje, e o bem-estar do povo de Deus depende de uma mente saudável também.

Funções sanitaristas
Em muitas comunidades carentes, a orientação sobre higiene e saúde preventiva é uma necessidade real. Isso ocorre principalmente em campos missionários onde há falta de recursos médicos, saneamento básico e muita pobreza (pesquise exemplos). Também é normal a preocupação dos líderes com a saúde do povo em geral. Pode-se abordar por aí a questão da gula, do fumo, do álcool e das drogas, as orientações em situação de epidemia, e assim por diante.

Funções jurídicas
Os líderes da igreja são muitas vezes convocados para resolver conflitos familiares, litígios entre os membros da igreja e problemas do próprio corpo de obreiros. O pastor é um juiz por excelência, como demonstra com clareza o texto de 1Coríntios 6.1-11, que você deve estudar.

Por último, não se esqueça de que está falando a ovelhas, não a líderes, por isso cuide em apresentar essas características da liderança do ponto de vista das ovelhas.

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Lições Bíblicas: “Os ministros do culto levítico”

Lição 3 — 3.° trimestre de 2018

O professor terá neste domingo uma boa oportunidade para desfazer alguns equívocos relacionados com o termo “levita”, que faz parte evangeliquês moderno. Mais uma vez, ressalto a ausência de aplicações práticas do simbolismo de Levítico à vida cristã atual, que o professor terá de suprir.

Levi, a tribo sacerdotal
A primeira ideia a se passar aos alunos é que a tribo de Levi foi separada por Deus para cuidar do Tabernáculo. Nenhuma das outras onze tribos tinha autorização para realizar esses trabalhos. Do sumo sacerdócio ao transporte dos utensílios, tudo era responsabilidade dos levitas. Desse modo, podemos entender que toda obra diretamente relacionada ao ministério cristão está simbolizada no serviço do Tabernáculo. Por essa razão, os autoproclamados levitas de hoje, envolvidos na área musical e na “adoração”, soam no mínimo como pretensão elitista, uma vez que o simbolismo do texto aponta para qualquer serviço cristão, não para uma elite ministerial dentro da igreja.

Convém lembrar ainda que a música não fazia parte das atribuições originais dos levitas (os músicos levitas só vieram a existir no período do Templo). A adoração do período do Antigo Testamento também foi substituída pela adoração “em espírito e em verdade” (Jo 4.23-24), portanto a atual referência aos levitas expressa uma tendência anacrônica.

Explique aos alunos que as principais mudanças ocorridas no cristianismo através dos séculos representavam claramente um retrocesso à religião do Antigo testamento. Basta lembrar que a igreja, ao se tornar imperial, resgatou o antigo sacerdócio, ou seja, a aproximação de Deus por um mediador humano (o padre ou sacerdote). A Reforma Protestante resgatou o sacerdócio de todos os crentes, mas ainda guardou muitos ranços do romanismo. O dízimo também também foi um resgate de práticas veterotestamentárias. E assim por diante. Recomendo a pesquisa desses assuntos em bons livros de história da igreja.

O sumo sacerdote
Havia uma clara hierarquia no judaísmo primitivo: sumo sacerdote, sacerdotes e os demais levitas. No entanto, não caia da armadilha de comparar a organização religiosa dos tempos de Moisés com a igreja de hoje. A Assembleia de Deus tem a sua hierarquia, mas nenhuma das designações (pastores, evangelistas, presbíteros e diáconos)  reflete o propósito original dos ministérios do Novo Testamento. O texto de Efésios 4.11, por exemplo, sem dúvida fala de liderança, não de cargos hierárquicos. Mas se você achar complicado estabelecer a diferença, melhor não polemizar. Nesse caso, pelo menos evite afirmar um significado que não existe no texto em estudo.

A figura do sumo sacerdote remete diretamente à pessoa de Cristo no Novo Testamento (Hb 8). O termo “azeite da unção” (v. 2 da “Leitura bíblica em classe”) pode ser traduzido como “óleo da messianidade” (veja André Chouraqui, Ele clama…). O sumo sacerdote oferecia sacrifícios necessariamente repetidos, mas Cristo, o Ungido, ofereceu um sacrifício definitivo pelos nossos pecados (Hb 10).

Direitos e deveres dos levitas
Os levitas não tiveram herança na Terra Prometida, por isso dependiam exclusivamente dos dízimos que o povo trazia ao Tabernáculo (e mais tarde ao Templo). Mais uma vez, não caia no erro de estabelecer relação entre os dízimos do sistema sacerdotal e o das instituições eclesiásticas. A questão de o obreiro ser “digno do seu salário” (1Tm 5.18, ARA) não tem relação com o dízimo (leia aqui um interessante registro de como isso funcionava nos tempos da igreja primitiva).

Lições Bíblicas: “A beleza e a glória do culto levítico”

Lição 2 — 3.° trimestre de 2018

O texto desta lição descreve os primeiros atos de Arão como sumo sacerdote. Sugiro que você leia também o capítulo anterior (Lv 8), que registra todo o ritual da consagração de Arão e de seus filhos. Lembre os alunos de que o sistema sacrifical judaico, embora instituído por Deus, tinha prazo de validade. Deveria durar até o momento em que o Filho de Deus fosse oferecido como sacrifício “uma vez por todas” (Hb 10.1-18) pelos pecados da humanidade. Mais uma vez, o desafio do professor nesta lição será aplicar os elementos da liturgia levítica à adoração “em espírito e em verdade”, que é a que realmente importa (Jo  4.21-24).

O culto no Antigo Testamento
A “Leitura bíblica em classe faz várias referências a um dos principais elementos do culto judaico e das religiões antigas: o altar. A revista faz várias menções a esse objeto de culto, mas sem comentar em profundidade a sua presença nos cultos do do Antigo Testamento. Russel N. Champlin assim define o altar: ” Lugar de se entrar em contato com o poder divino ou com os mortos, por meio de um sacrifício e de oferendas. As religiões primitivas supunham que o altar de uma divindade seria o lugar onde ela manifestava a sua presença” (Enciclopédia de Bíblia teologia e filosofia). Como subsídio, cito parte do artigo de Stanley N. Gundry (Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã):

Havia dois tipos básicos de altares no AT. O primeiro era um altar sem formato nem materiais previstos, construído de terra e pedras. Em alguns casos, é declarado que o altar tomava esta forma e, em outros, o contexto sugere que era esta a forma. Este tipo de altar geralmente tinha um uso não sacerdotal, ou leigo. O segundo tipo tinha urna forma prescrita, e era feito ou de madeira e bronze, ou de madeira e ouro. Em especial, os dois altares associados com o tabernáculo e o seu serviço sacerdotal (e, depois, os altares do templo) seguiam padrões específicos e eram construídos por artífices habilidosos. […]  Não havia sacerdócio antes do Sinai, mas altares eram edificados e usados para a adoração de Deus pelos patriarcas. Deus mandou Moisés instruir o povo de Israel a respeito da construção e emprego apropriados de tais “altares leigos” (Êx 20.24-26).  […] As igrejas da tradição protestante reavivamentista têm ainda outro uso do termo “altar”. Naqueles grupos que ressaltam a importância da confissão pública de Cristo ou da dedicação pública da vida a Cristo, há um “convite ao altar” (para vir até à frente), no fim da maioria dos cultos públicos. Nesta ocasião as pessoas são convidadas a vir para a frente e, sacrificialmente, oferecer-se a Deus (no altar). Em tais casos, o chamado altar é um corrimão, um banco, ou simplesmente a primeira fileira de bancos. Na realidade, em alguns casos o altar pode ser mero modo de falar, sem se identificar com qualquer objeto específico. […] Refere-se ao lugar onde o indivíduo se oferece a Deus.

A verdade é que na era da graça a adoração “em espírito e em verdade” dispensa os altares físicos: nós mesmos somos agora “sacrifícios vivos” perante Deus. Sobre esse assunto, sugiro o meu artigo “Vida plena em casca de noz” ( leia aqui).

Elementos do culto levítico
Os elementos citados nesta seção não devem ser confundidos com a rotina dos cultos realizados em nossos templos hoje. À exceção das festas e do Dia da Expiação (Lv 16), o Tabernáculo tinha o seu expediente normal para receber ofertas e sacrifícios, nada semelhante às nossas reuniões de hoje. Os “cânticos”, por exemplo, só vieram a fazer parte do culto judaico no Templo, construído por Salomão séculos depois. A “exposição da Palavra” e a “leitura da Palavra” consistiam basicamente da leitura e explicação da Lei, mas apenas em ocasiões especiais. E não havia reuniões de oração em torno do Tabernáculo. Convém lembrar ainda que o judaísmo dos tempos de Cristo era bem diferente do que descreve o livro de Levítico. Sobre esse assunto, recomendo o livro À sombra do Templo, de Oskar Skarsanne (São Paulo: Vida, 2004).

Finalidades do culto levítico
Ressalte que essas finalidades já foram todas cumpridas, porque o Messias já veio. O culto cristão foi despido de todos os paramentos e rituais do judaísmo. Até mesmo o templo é desnecessário. A igreja é o povo que se reúne em determinado lugar. A presença de Deus não está em templo algum. A era dos “lugares consagrados” já passou. O Espírito Santo habita no interior do ser humano redimido. Exceto pelo batismo e pelas ordenanças do batismo e da ceia do Senhor, tudo o mais é dispensável. Nós somos o templo do Espírito santo. Os sacrifícios foram abolidos. Como dissemos no comentário da lição anterior, não devemos das às “sombras” o status de realidade.

Infelizmente, o culto cristão está cada vez mais retrocedendo à idade das “sombras”. E haja invencionice! Por isso, é provável que algum aluno levante a questão do “reteté” e afins. Sobre esse assunto, sugiro o meu artigo “O reteté e a regra paulina de culto” (leia aqui).

Lições Bíblicas: “Levítico, adoração e serviço ao Senhor”

Lição 1 — 3.° trimestre de 2018

Como disse na postagem anterior, o livro de Levítico, tema deste trimestre, pode não ser um dos mais atraentes para os alunos, por isso exigirá do professor certa criatividade na explanação do assunto e na aplicação dos temas à realidade de hoje. Ou seja, nenhum dos “Objetivos específicos” deve estar dissociado do “Objetivo geral”. O tema do livro é a santidade, por isso recomendo que você pesquise sobre o assunto. Você deve aproveitar o gancho para informar a classe de que todos os rituais e leis estudados são “sombras das coisas futuras” (Cl 2.17). Em cada um deles, há lições e princípios importantes para a vida cristã. Seu desafio será apresentá-los de forma atraente e coerente.

Sobre o livro de Levítico
Boa parte dos alunos não sabe o que significa “canonicidade”, então prepare-se para explicar. Para ajudá-lo, segue uma explicação do livro Introdução bíblica, que editei para o ENSINAI, um curso de teologia da AD de Curitiba:

A palavra “cânon” vem do grego kanon e significa literalmente “cana de medir”. Por extensão, passou a ser sinônimo de “padrão” ou “regra”. Desse modo, os livros canônicos são aqueles que se enquadram em determinados padrões, que os qualificaram como Palavra inspirada de Deus. O cânon do Antigo Testamento e o do Novo Testamento seguiram caminhos distintos, tanto na forma em que foram agrupados quanto no método de reconhecimento. Mas não há dúvida de que Deus esteve presente em todas essas etapas do processo, orientando o seu povo, até que a Revelação estivesse completa.

Como o espaço não permite maior inclusão de material, sugiro que pesquise mais sobre o assunto, especialmente sobre a Grande Sinagoga (c. 410 a.C.) e o Concílio de Jâmnia (90 d.C.), que estabeleceram o cânon do Antigo Testamento, e o III Concílio de Cartago (397), que fixou o cânon do NT.

As questões sobre gênero literário, data e autoria são mais técnicas, mas você encontra bons subsídios nas introduções ao livro de sua(s) Bíblia(s) de estudo e em comentários bíblicos. E não se esqueça de enfatizar a ação de Deus por trás de todos esses aspectos.

A razão do livro
A razão do livro é ensinar como viver uma vida santa. Israel não saiu do Egito para ocupar um lugar paradisíaco e livre de pecado. Nesse aspecto, era até um lugar pior. O cristão é liberto do sistema do mundo (Egito), mas exercerá essa liberdade como uma ovelha entre lobos (leia o meu artigo A necessária convivência com os lobos). Na oração Sacerdotal, Jesus diz ao Pai: “Eles estão no mundo” (Jo 17.11). Em suma, a libertação do Egito nos separa dele (esse o significado de ser santo) e nos dá agora condição de enfrentá-lo. O Egito representa o mundo de que nos separamos. Canaã é o mundo com que convivemos.

O manual do sacerdote
Creio que será inevitável a comparação entre o sacerdócio levítico e os autoproclamados “levitas” atuais. Aproveite a oportunidade para explicar que a judaização neopentecostal de hoje (e também de algumas ADs) é uma perigosa inversão de rumo e vai de encontro ao propósito do livro de Levítico. Quem “judaíza” está colocando a “sombra” no lugar do que é real.

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