Arquivos de Categoria: Cotidiano do curral

Oração ao Jesus Amado

No início da década de 1980, parte da juventude de nossa congregação em Joinville (SC) foi participar de um evento na cidade de Cianorte (PR). Assim que o ônibus partiu, dois jovens foram escalados para orar pela viagem.

O primeiro começou a sua oração, e logo alguns de nós começaram a prestar mais atenção ao que ele dizia. Não por reverência, mas porque percebemos que ele intercalava cada frase curta com o vocativo “Jesus amado”, mais ou menos assim:

— Estamos aqui, Jesus amado… Porque, Jesus amado… Te pedimos, Jesus amado…

A solenidade do momento se desfez como a fumaça do escapamento ônibus.  Então, depois de ouvirmos duas dezenas de menções ao Jesus Amado, o segundo jovem começou começou a orar:

— Jesus amado…

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Ira santa

Quem já não teve vontade de fazer isto com algum pregador?

 

Momento eternizado

Por Solano Portela

O ano era, creio, 1965. Eu era um jovem de 18 anos cheio de ânimo. Havíamos saído de Recife, eu e outros três amigos, para Garanhuns, para um encontro de jovens presbiterianos. Um desses amigos era o pregador, e achei de dar uma de fotógrafo.

Todo empolgado, havia comprado um flash para uma máquina da época da Segunda Guerra Mundial que meu pai tinha em casa. Nos meses anteriores, eu havia lido na Enciclopédia prática Jackson a seção “Fotografia” e estava todo entusiasmado, crente de que era o maior expert das redondezas sobre o manejo da câmera. Sabia tudo sobre abertura, lentes, foco, sensibilidade de filmes (alguém lembra do “ASA 100”?) e, especialmente, sobre fotografias com flashes. A geringonça adquirida, fruto de muitas economias, era um trambolho de bom porte, que ainda tinha um leque de alumínio que abria e ampliava o poder de projeção da lâmpada enorme, com aqueles mil filamentos internos envoltos em magnésio, que explodia e causava um clarão de arrepiar, invariavelmente queimando fotos no processo ou submetendo-as à superexposição!

Pois bem, enquanto o meu amigo pregava, armei o leque, coloquei a lâmpada (com as duas mãos) no soquete, parafusei o flash em cima da máquina, liguei o fio no local devido e caminhei pela ala central da igreja para registrar o histórico momento da pregação! Nenhuma preocupação em disfarçar, pois, seguindo a milenar tradição dos fotógrafos, eles são o centro da atenção, mesmo.

Apontei a máquina, preparei-me para o grande momento, aperte o botão e… clik. NADA DO FLASH! Impossível! Eu havia testado antes (lembrando que as lâmpadas, naquele tempo, queimavam ao serem acionadas — isso mesmo. Eram suficientes para uma foto e custavam uma nota). Perplexo, virei a máquina para ver o que estava acontecendo, e a bomba de efeito retardado entrou em ação: a lâmpada explodiu com grande clarão a uns cinco centímetros da minha face!

Pausa no sermão, olhares voltados para o fotógrafo cego, que ziguezagueava no meio da igreja, segurando a máquina fotográfica com a lâmpada fumegante ainda, em direção à porta de entrada. Nesse percurso, que durou um século até eu chegar lá fora e me sentar na calçada, foi tomada a decisão de abandonar a promissora profissão. O incidente, como de costume, gerou brincadeiras e zombarias dos colegas, especialmente dos que haviam me acompanhado até o evento! Foi o fim de uma possível carreira…

Do blog O tempora! O mores! (contribuição involuntária).

Não deseje coisa boa às pessoas erradas

Na década de 1980, o meu amigo Leandro Ferreira era promotor da Cruzada Mundial de Literatura para a Região Sul do Brasil, e todos sabem que essa entidade é famosa pelos folhetos que publicava para as mais diversas situações, como Finados, formatura, e assim por diante.

Ele me contou que certa vez um inexperiente evangelista provocou tumulto num hospital quando distribuiu aos doentes um folheto que continha uma mensagem positiva, mas que não foi bem recebido naquela casa de saúde.

Título do folheto: Boa viagem.*

* Baseado nessa história, escrevi um pequeno conto, que já publiquei aqui.

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