Paulo nunca entrou numa igreja

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O apóstolo Paulo conhecia muito bem o templo judaico de Jerusalém e em suas viagens pelo mundo romano conheceu inúmeros templos pagãos, que não raro se destacavam na paisagem urbana.

Como missionário, ele fundou várias igrejas e conheceu tantas outras. Mas a verdade é que Paulo nunca pisou num templo cristão — numa igreja, como  hoje se diz.

A razão é muito simples. No primeiro século, os cristãos se reuniam nas casas. Em alguns casos, os cristãos aproveitavam os espaços públicos para se reunir, como a igreja de Jerusalém, que se reunia no pórtico de Salomão, um amplo espaço coberto à entrada do templo judaico. Também houve um tempo em que os cristãos usavam as catacumbas como local de culto.

E essa realidade se estendeu por muito tempo porque, pelo menos até o século III nenhum templo cristão foi construído. A era dos templos, catedrais e basílicas iniciou com a igreja imperial e quase sempre a ideia de cultuar a Deus era abafada pela intenção de glorificar a instituição em si.

Desse modo, Paulo, os demais apóstolos e mesmo cristãos de gerações posteriores jamais participaram de reuniões num templo, como fazemos há vários séculos.

Fatos curiosos sobre o hino “Amazing Grace” (“Maravilhosa graça”)

Neste vídeo, o pastor adventista Wintley Phipps faz alguns comentários interessantes sobre o estilo de música negro spiritual e sobre o hino “Amazing Grace”, composto por John Newton, um ex-traficante de escravos, e encerra com uma interpretação magistral do hino pelo próprio Phipps:


Philip Yancey, no livro Maravilhosa graça, conta um episódio interessante em torno do mesmo hino:

O filme-documentário de Bill Moyers a respeito do hino Amazing Grace inclui uma cena filmada no Estádio de Wembley, em Londres. Diversos grupos musicais, principalmente bandas de rock, estavam reunidos celebrando as mudanças na África do Sul e, por algum motivo, os responsáveis pelo evento selecionaram uma cantora de ópera, Jessye Norman, para o número final. O filme pula para trás e para frente entre as cenas da multidão indisciplinada no estádio e Jessye Norman sendo entrevistada. Durante doze horas grupos de rock como Guns’n ‘Roses estiveram atordoando a multidão com palavras de ordem, irritando os fãs já alterados com álcool e drogas. A multidão grita pedindo mais apresentações no palco e os grupos de rock atendem. Enquanto isso, Jessye Norman está sentada em seu camarim discutindo Amazing Grace com Moyers. Finalmente, chega a hora de ela cantar. Um simples círculo de luz acompanha Norman enquanto ela atravessa o palco. Sem nenhum acompanhamento, sem instrumentos musicais, apenas Jessye. A multidão se agita, nervosa. Poucos reconhecem a diva da ópera. Uma voz grita pedindo Guns’n’Roses. Outros se juntam ao grito. A cena começa a ficar pesada. Sozinha, a capela, Jessye Norman começa a cantar, muito lentamente, os primeiros versos do hino. Uma coisa espantosa aconteceu no Estádio de Wembley naquela noite. Setenta mil fas roucos ficaram em silêncio diante da ária da graça. Quando Norman chegou à segunda estrofe: “Tal graça me levou a temer assim que em Deus eu cri…”, a soprano já tinha a multidão em suas mãos. Ao chegar à terceira estrofe: “Por provas duras passarei… mas pela graça irei morar na eternal mansão…” diversas centenas de fãs estavam cantando junto, cavando profundamente em lembranças já esquecidas em busca das palavras que haviam ouvido há muito tempo. Jessye Norman mais tarde confessou que não tinha ideia do poder que desceu sobre o Estádio Wembley naquela noite. Acho que sei o que era. O mundo tem sede de graça. Quando a graça desce, o mundo fica em silêncio diante dela.

Este é o vídeo do incidente relatado por Yancey:

Fundação da AD dos Estados Unidos foi motivada por racismo

Charles Mason, ministro negro batista, nasceu pouco depois da libertação dos escravos nos Estados Unidos. Ele visitou a Missão da Fé Apostólica da rua Azusa, teve ali a experiência pentecostal e levou o pentecostalismo para a sua denominação, a Igreja de Deus em Cristo (IDC), de Memphis.

Nas duas primeiras décadas do século XX, vivia-se o auge da segregação racial nos Estados Unidos, mas o avivamento que explodiu em 1906 teve a virtude de unir negros e brancos sob o mesmo teto sem nenhuma discriminação. Mason, em particular, tornou-se incansável na luta para extinguir as fronteiras raciais. Ele costumava dizer: “A Igreja é como um olho: um pouco branca e um pouco negra, e sem os dois não é possível enxergar”.

A IDC era a igreja mais eclética do país e autorizava ministros brancos e negros, sem distinção. Essa mistura também se devia em parte ao fato de a IDC ser a única denominação pentecostal autorizada a conceder credencial de ministro. A questão racial, porém, começou a pesar. Ministros brancos da IDC começaram a participar de conferências segregacionistas, até que em 1914 muitos deles resolveram se separar de Mason e fundar uma nova denominação, cuja liderança era composta apenas por ministros brancos. Essa denominação recebeu o nome de Assembleia de Deus. O historiador Vinson Synan informa:

Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, um grande grupo de ministros brancos pentecostais, insatisfeitos com a situação, começou a organizar uma nova denominação com o propósito de também obter seu registro e assim poder conferir os mesmo benefícios a seus obreiros. A maioria dos fundadores das Assembleias de Deus que se reuniram em Hot Springs, no Arkansas, em abril de 1914, havia obtido sua credencial na Igreja de Deus em Cristo. Embora Mason e sua equipe tivessem sido convidados para o conclave de Hot Springs, nenhuma carta foi enviada aos ministros negros.

A IDC tem hoje cerca de 6 milhões de membros nos Estados Unidos, que é o dobro do número de membros das Assembleias de Deus.

BIBLIOGRAFIA. Synan, Vinson. O século do Espírito Santo. Tradução de Judson 
Canto. São Paulo: Vida, 2009.