Arquivos de Categoria: Meditações ao acaso

Meditações ao acaso: Jó 13.15

Já me perguntei, sim, se Deus é realidade ou mera projeção da mente finita. Se o céu não é um conceito semelhante ao de Matrix, a dura realidade de uma vida sem sentido aliviada com fantasia. Se vale a pena insistir no bem ou se é melhor mandar o mundo às favas. Se vale o esforço jamais reconhecido ou a integridade que ninguém percebe. Aí me lembro que nem um simples copo de vidro é produzido sem uma inteligência superior, que certos acontecimentos em minha vida fogem ao campo das coincidências e que em meu interior um testemunho inaudível, mas incontestável, garante que estou no rumo certo, a despeito de tudo à minha volta gritar o contrário. Jó, o ícone do sofrimento incompreensível, declarou: “Ainda que ele me mate, nele esperarei”. E então me pego esperando. Não sei o quê, mas espero.

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Meditações ao acaso: Mateus 10.16 e Lucas 10.13

Ícone - Meditações ao AcasoA igreja não foi instituída para consertar o mundo nem para conquistá-lo. O mundo é dos lobos. Jamais um conselho de ovelhas irá governar essa imensa alcateia. Quando Cristo nos enviou para o meio da feras não estava criando uma raça de ovelhas guerreiras.

As missões emblemáticas dos dois grupos de discípulos não prenunciam uma saga de conquistas, e sim uma história de resiliência. E essa é a boa notícia. Um guerreiro pode ser derrotado, mas ninguém dobra um resiliente.

Não importa quanto piore o mundo ou quão injusto se torne o país. Ainda que as ovelhas se dispersem ou precisem se esconder, elas sobreviverão, e a missão continuará. Talvez até com mais eficácia.

Meditações ao acaso: Efésios 6.11-13

Revestir-se da armadura de Deus não é um simples gesto, mas um processo. Não é como vestir uma capa mágica ou ativar um campo de força ao aperto de um botão e ficar mostrando a língua para o inimigo impotente do lado de fora.

A metáfora da armadura implica uma batalha real, um combate corpo a corpo com o inimigo, onde o perigo é real, e isso implica também muita disciplina e treinamento até o ato de vesti-la. Quem toma a armadura de Deus, portanto, não está praticando uma ação isolada, mas assumindo a vida de soldado espiritual em todos os seus aspectos.

Meditações ao acaso: 1Samuel 16.14

O povo de Israel, estabelecido na Terra Prometida havia algum tempo, achou por bem sacudir de si o jugo da teocracia. Queriam experimentar algo mais humano, um governo de homens para homens, que manteria Deus apenas como reserva técnica de poder ou como arma secreta.

Então o próprio Deus, engolindo a rejeição, providenciou para eles o melhor homem disponível para assumir o posto de governante máximo da nação. Saul de forma alguma foi um equívoco ou um expediente para perpetrar uma suposta vingança divina. Deus concedeu ao povo exatamente o que este pediu. O novo rei preenchia todos os requisitos e atendia a todos os anseios do povo.

Mas Saul não era Deus. Suas qualidades aos poucos foram ofuscadas pelos seus desmandos. E depois que, à semelhança do povo, ele cortou relações com Deus, ficou à mercê de um espírito maligno. Em suma, Israel trocou o Deus santo por um rei endemoninhado.

É ilusão pensar que na rejeição a Deus restará apenas o humano. Toda a nossa vida está entremeada com o mundo espiritual. Existencialmente, a laicidade é impossível. A rejeição a Deus ou a negação dele não põe o ser humano numa redoma de neutralidade. Quem se afasta de Deus acaba se aproximando do Maligno. É a inexorável lei da existência.

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