David Miranda é a “nossa” Maria do Rosário

Dia atrás, comentei a desastrada nota oficial emitida por Maria do Rosário, secretária nacional dos Direitos Humanos, em que ela pede que alguém seja punido por crime que ninguém cometeu, o suicídio do a morte do adolescente homossexual Kaique Augusto Batista dos Santos. Tudo bem. Ela representa uma das piores bandeiras políticas do mundo, ainda que com um belo nome, e não se podia esperar outra coisa.

Agora vem o missionário David Miranda, fundador da Igreja Pentecostal Deus É Amor, numa suposta revelação do Espírito, anunciar a morte de seus desafetos (dele, não do Espírito):

Eu quero falar, para aqueles irmãos e irmãs que eram da Igreja Deus é Amor, e aceitaram Jesus, o divino Espírito Santo está me revelando: vocês que foram para outra igreja, estão doentes, enfermos… Vocês vão morrer. Prepara para encontrar com a morte. Quem está dizendo é o Espírito Santo, porque você prometeu que nunca deixaria a Igreja Deus é Amor. A Bíblia diz que é melhor não prometer, do que prometermos e não cumprirmos.

É de estranhar que Deus condene à morte quem abandona uma denominação quando não pune quem abandona a Igreja. Sua postura é a mesma do pai do filho pródigo, que aguarda paciente o retorno do filho desnaturado. Sabemos que a denominação de David Miranda é caracterizada por um legalismo extremo, pior que o da Assembleia de Deus do início da década de 1960. Se Deus fosse tão a favor do legalismo, teria mandado Paulo rasgar a Carta aos Gálatas e talvez o tivesse fulminado por repreender o comportamento de Pedro naquele episódio de Antioquia.

O argumento é que aquelas pessoas haviam prometido jamais deixar a denominação por igrejas que pregam “doutrinas do Diabo” (leia-se não proíbem televisão nem o corte de cabelo feminino), mas desde quando não se pode romper uma promessa quando se percebe o engano? Além disso, parece que tal promessa é obrigatória para quem ingressa naquele ministério.

A única conclusão a que se pode chegar é que o dito missionário falou besteira e que as suas palavras não revelam outra coisa senão o desejo oculto de que os dissidentes morram. Isso por si só já o torna pior que Maria do Rosário: não vamos nos esquecer de que ele, pelo menos tecnicamente, é também um líder cristão. Será que David Miranda nunca leu a frase “Deus é amor” na placa da igreja que ele mesmo fundou?

Maria do Rosário e a sandice oficializada

Ontem comentei um texto daquele deputado frufruzento sobre a morte do adolescente homossexual . Também não pude deixar de observar que, além de arauto da boiolagem, ele parece ter assumido a tarefa de matar de tédio os seus leitores, tal a quantidade de sandices, ódio e pieguice que se pode extrair de cada linha. O mesmo episódio também foi explorado por Maria do Rosário, secretária nacional dos Direitos Humanos, e ela também publicou um texto sobre a morte do adolescente quem em nada fica a dever ao colega no que diz respeito às virtudes mencionadas acima. Eis a pérola:  

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado (11/01). Seu corpo foi encontrado pela Polícia Militar de São Paulo próximo a um viaduto na região da Bela Vista, na Avenida 9 de Julho.
As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia.
De acordo com dados do Relatório de Violência Homofóbica, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos, em 2012, houve um aumento de 11% dos assassinatos motivados por homofobia no Brasil em comparação a 2011. Diante desse grave cenário, assim como faz em outros casos que nos são denunciados, a SDH/PR está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade.
A ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, designou o coordenador-geral de Promoção dos Direitos de LGBT e presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes, para acompanhar o caso pessoalmente. O servidor da SDH/PR desembarcou no início na tarde desta sexta-feira (17) na capital paulista, onde deverá conversar com a família e acompanhar o processo investigativo em curso.
Informamos ainda que a Secretaria de Direitos Humanos está investindo recursos para a ampliação dos serviços do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura Municipal de São Paulo, fortalecendo a rede de enfrentamento à homofobia.
Diante desse quadro, reiteramos a necessidade de que o Congresso Nacional aprove legislação que explicitamente puna os crimes de ódio e intolerância motivados por homofobia no Brasil, para um efetivo enfrentamento dessas violações de Direitos Humanos.
O Governo Federal reitera seu compromisso com o enfrentamento aos crimes de ódio e com a promoção dos direitos das minorias, em especial, com a população LGBT.

Embora tedioso e risível, o texto da ministra deve suscitar em qualquer cidadão mais consciente sérias preocupações, porque se trata de nota emitida de uma secretaria ligada diretamente à Presidência da República.

Já no começo da nota ela afirma que o jovem foi “assassinado brutalmente no último sábado”, quando a única informação oficial de que ela dispunha era o parecer inicial da polícia, que apontava a causa como suicídio, e nada até agora indica o contrário. E, uma vez que ela afirma que houve assassinato, está afirmando também que existe um assassino ou assassinos. Desse modo, ela não está pedindo outra coisa senão um bode expiatório, a cabeça de um inocente aos olhos da lei, e isso em nota oficial! Rosário chegou até a designar um assecla para garantir que alguém seja punido.

A proposta, feita pelo deputado gayzista, de paralisar (ou mobilizar, que seja) o país por causa da morte de um homossexual é absurda pelos motivos que, quase desnecessariamente, já apresentei. Mas agora, quando uma ministra vem a público e sem constrangimento algum exige que se condene alguém por um crime que não foi cometido, não é o caso de se tomar uma providência? Tem uma pessoa na posição dela autoridade para obter condenações sem crime, com o único objetivo de ganhar pontos para a sua causa? E Dilma, concorda com essa barbaridade? Vai mantê-la à frente da secretaria? E os defensores dos direitos humanos, não vão se manifestar? E os artistas, não vão dar selinho em sinal de protesto?

E se for comprovado que o rapaz foi vítima de assassinato? Bem, eu é que pergunto: de que forma isso transformará a ministra numa pessoa justa e sensata?

Atualização: Leiam o desfecho da investigação aqui e aqui. Nem era preciso, pois nota de Maria do Rosário por si só já lhe garante o prêmio de fiasco do ano (prêmio de coadjuvante para o deputado gayzista). Acho que agora ela vai acusar a ponte de “homofobia”. Aguardemos a próxima nota oficial.

Um gay se matou: vamos parar o país?

É um tédio. Cada vez que se noticia a morte de um gay, pouco importa se atropelado por um caminhão ou baleado por um assaltante, lá estão os frufruzentos da “homofobia” tentando convencer o mundo de que se cometeu um crime contra um querubim ungido. E esta semana deparei com mais uma pérola da imensa coleção daquele deputado ativista cujo currículo se resume à participação no BBB. Tedioso, muito tedioso. Mas é saudável espinafrar de vez em quando essa canalha preconceituosa, a fim de que não monopolizem o discurso. Então vamos à pérola de que falei:

Em outros países, o brutal assassinato de um adolescente homossexual de 16 anos de idade seria uma notícia que comoveria a sociedade e nos chocaria a todos como poucas notícias nos chocam. […] Em outros países, seria manchete de capa de todos os jornais. A Presidenta falaria em cadeia nacional. O país inteiro reclamaria justiça. Os poderes públicos reagiriam de imediato.

Você não leu errado, saiu na revista Carta Capital. Para o intelectual homoesquerdista a morte de um gay justifica a paralisação de um país. O restante da matéria também não é melhor: purpurina ideológica, delírios estatísticos e, claro, fúria contra os religiosos (leia aqui depois de um bocejo).

O estopim do chilique foi a morte de Kaike dos Santos, que segundo a polícia cometeu suicídio jogando-se de uma ponte. A notícia também pode ser na Carta Capital, que, naturalmente, não dispensa a possibilidade de “homofobia”, seja da ponte, seja de supostos criminosos humanos. Nada até agora contradiz a hipótese de suicídio, mas na estranha lógica desses denodados ativistas não há relação entre assassinato e causa da morte. Se um gay morre de gripe, é outra vítima “do ódio irracional que os fundamentalistas promovem” (adivinhem quem escreveu isso!).

Ora, a morte de Kaike não deve ser mais lamentada que qualquer outra morte. Nem menos. Pessoas morrem todos os dias, e é sempre lamentável. Mas desde quando isso é motivo para puxar o freio de mão do país? Nem os amigos e parentes mais próximos do rapaz farão isso. Eles vão sofrer, como qualquer família que perde um ente querido, mas a verdade é que todos seguirão em frente. Falem com eles daqui a um mês.

E se a polícia constatar que o jovem foi assassinado? Já existem leis para punir os assassinos. Que sejam aplicadas (leis anti-homofobia são outro delírio, como já escrevi aqui).

Mas pensa que acabou? Tem ainda a sandice de uma ilustre ministra do governo, com nota oficial e tudo. Publico amanhã.

O mimimi dos mensaleiros

Inauguro esta nova categoria do blog com as impagáveis declarações que se seguiram à prisão da quadrilha liderada por José Dirceu, da parte dos condenados e de seus cúmplices ideológicos. Vermelhos de indignação, os petistas choram a injustiça cometida contra esses ilibados representantes do socialismo moderno. Vamos às pérolas:

“Fui transformado em principal alvo da inveja da elite brasileira, que não se conforma com o papel do presidente Lula no crescimento do Brasil” (José Dirceu). — Os ladrões pé-de-chinelo que vivem dos assaltos aos aposentados no início do mês também devem morrer de inveja dele.

“Fui condenado previamente numa operação midiática inédita na história do Brasil. E me julgaram num processo marcado por injustiças e desrespeito às regras do estado democrático de direito. Por tudo isso, considero-me um preso político” (José Genoino). — Se ele é preso político, não deveria estar revoltado com o governo petista? (E aquela pose de Supermouse também vai ficar na história.)

Estamos juntos” (Lula).  — Não, Lula não está com eles… mas deveria estar, não é mesmo?

“A prisão de Zé Dirceu, José Genoino e demais lutadores sociais é apenas o início de uma perseguição a toda a esquerda” (carta assinada por um grupo de militantes). — A velha alquimia socialista que tenta transformar crime em virtude. 

“STF prende Dirceu e Genoíno e joga no lixo o estado democrático de direito” (manchete do Blog Palavra livre, via Blog da Dilma).  Dizer o quê!

Coroamos as manifestações pró-crime com esta postagem de um fundamentalista banânico:

Servolo Aimoré