Breve história da igreja (reedição)

Jesus Christ and DisciplesA igreja começou com poeira nos pés.

Depois tomou carona na carruagem do imperador.

Com o progresso, dispersou-se em concessionárias de marcas variadas.

Agora parece estar na fase do carro alegórico.

Já passou da hora de pôr os pés outra vez na estrada da simplicidade.

Breve história da igreja

Jesus Christ and DisciplesA igreja começou com poeira nos pés.

Depois tomou carona na carruagem do imperador.

Com o progresso, dispersou-se em concessionárias de marcas variadas.

Agora parece estar na fase do carro alegórico.

Já passou da hora de pôr os pés outra vez na estrada da simplicidade.

Igreja mais viva, só que não

Vamos encerrar a semana com uma breve citação do missionário e teólogo E. Stanley Jones, do livro Cristo de todos os caminhos:

Na minha viagem pela América, fiquei surpreendido pela grandiosidade dos templos e o crescente uso de ornamentos e ritualismo. A impressão que isto dá é de que o milênio está do outro lado de uma igreja tão pomposa, um coro paramentado e uma solene procissão. Se a vida esti­vesse do lado destas coisas, então a Igreja Católica seria a mais viva, pois ela deixa o protestantismo desclassificado na competição de pompas e ritual. A Europa está cheia de magníficas catedrais e cristianismo cediço, de procissões religiosas e paralisia espiritual. Não, isto não é sinal de vida; e, no entanto, sentindo o vazio do interior, nós adicionamos coisas novas ao exterior, pensando que aparência de vida fará com que a vida surja. A história afirma que isto não acontece.

A que igreja você pertence?

Churches

Quando conhecemos alguém que se diz evangélico, cristão ou crente, logo perguntamos: “De que igreja você é?”. O que queremos saber é a que denominação ele pertence. Nos dias de hoje, podemos ouvir respostas estranhas como “Bola de Neve”, que já nem é tão incomum, “Comunidade do Coração Reciclado” ou “Assembleia de Deus Pavio que Fumega”. É a diversidade gospel representada na pessoa jurídica, que em abrangência pode variar de organização multinacional a birosca, não raro identificada por uma marca de gosto duvidoso.

Já adianto que não pretendo aqui travar nenhuma batalha semântica com o leitor. A pergunta do título refere-se a um dos vários significados que a palavra “igreja” foi agregando com o passar dos séculos e, no atual contexto, é bastante natural e de forma alguma está errada. A linguagem é dinâmica, e não há como refrear esse processo. No entanto, sabemos que esse tipo de evolução costuma ocorrer com base em equívocos. Foi assim que “igreja”, “templo” e “denominação” se tornaram palavras sinônimas.

Contudo, no dicionário divino “igreja” é sempre povo. Esse povo são as pedras vivas de um edifício espiritual, que não ostenta nenhuma placa, mas se ergue para honrar um Nome que está acima de qualquer outro nome. Assim, Jesus nunca vê um templo como uma igreja, mas pode identificá-la entre os que o frequentam.

Mais ainda: nenhuma denominação é igreja. Desse modo, Assembleia de Deus não é igreja. Nenhuma dita igreja histórica é igreja no sentido bíblico. Não existe igreja reformada nem pentecostal. Não há comunidade, de nome bonito ou esquisito, que Cristo considere igreja conforme definida no dicionário de Deus. Denominações, tradições cristãs e comunidades são, na melhor das hipóteses, empreendimentos humanos bem-intencionados. Na pior, e cada vez mais frequente, meras empresas.

Na hora do arrebatamento da igreja, doutrina em que creio piamente, estará acontecendo um culto cristão em algum templo do mundo. Se você estiver por perto e não for cristão, perceberá que nem todos ali foram arrebatados. Amplie a sua pesquisa, e encontrará membros ativos de diversas denominações cristãs que descobriram ou já sabiam que estavam excluídos do projeto divino. A razão disso é que a igreja que Cristo veio edificar transcende a essas exterioridades, ao mesmo tempo em que pode jubjazer a certas estruturas, mas nunca se une hipostaticamente a elas.

No entanto, vivemos tempos confusos, e está cada vez mais difícil enxergar o edifício espiritual sufocado sob as pretensões humanas. Por isso, sugiro ao leitor uma volta às origens. Antes de satisfazer a curiosidade natural de saber a que grupo evangélico alguém pertence, pergunte a ele: “Você pertence à igreja?”. Talvez nem ele nem você entendam a abrangência dessa simples pergunta, mas estarão no caminho para entender o projeto original de Cristo.